Publicidade
Contacto
|
Cismando
*Cooperaçom transfonteiriça

Un artigo de José Ramom Flores d'as Seixas (12/03/2007)
Queixava-se recentemente o Secretário Geral de Relações Exteriores da Xunta de Galicia por ter-se preferido Badajoz na vez de Vigo como sede do secretariado técnico da Uniom Europeia para gerir a cooperaçom transfonteiriça entre Espanha e Portugal. "Lamento esta decisom cujas razões se me escapam", seica declarou D. Santiago Gómez-Reino Lecoq.
Pois para mim, sr. Gómez-Reino, as razões som bastante claras, outra cousa é que goste delas. Por mor da sua posiçom geográfica Badajoz bate claramente a Vigo; Galiza e Extremadura têm umha fronteira com Portugal de tamanho similar, mas entanto Vigo fica bastante periférico a respeito de Madrid e de Lisboa, Badajoz acha-se no meio da principal rodovia que une ambas capitais. Além do qual o AVE que unirá Madrid com Lisboa passará também por Badajoz. A isto há que acrescentar razões técnico-culturais. O governo estremenho tem promovido o estudo de português e de cultura portuguesa desde há bastantes anos, entanto na Galiza tem-se seguido a política contrária; sob umha retórica de povos irmaos, desencorajou-se no possível o achegamento cultural a Portugal. Como conseqüência hoje em dia seria muito difícil contratar galegos com domínio oral e escrito de português, titulados superiores (licenciados em direito, economia, engenheiros ...) ou médios. Nom se passa o mesmo com os estremenhos.
Nom resulta estranho escuitar a retórica oficial segundo a qual: a Galiza é a ponte natural entre Espanha e Portugal. Mas hoje em dia tal afirmaçom é RIDÍCULA, tristemente ridícula. A sociedade galega nem tem, nem quer ter, excepto umha pequena minoria, um relacionamento especial com Portugal. Vejamos 3 exemplos que esclarecem a grandeza do ridículo antes dito:
- A Santiago de Compostela, cidade na que eu moro, chegam cada ano milhares de turistas portugueses, muitos mais em tudo caso do que franceses, ingleses ou alemães. Mas ainda nom vim um só restaurante compostelano que tenha a sua ementa em português, porém muitos deles têm versões em inglês, francês ou alemao. Duvido que em nengumha outra cidade ou vila galega a situaçom seja diferente.
- Na Galiza há umha importante colónia portuguesa, sendo o grupo de estrangeiros mais numeroso. À qual há que lhe acrescentar umha colónia brasileira também importante. Noutras partes de Espanha onde há colónias importantes doutros cidadaos comunitários, ingleses e alemães, é possível sintonizar rádios em inglês e alemao. Mas na Galiza, nem portugueses, nem brasileiros, nem os galegos interessados, têm oportunidade de sintonizar umha radio em português (fora da faixa fronteiriça onde nom se pode evitar propagarem-se as onda vindas de Portugal). E quando a princípios da actual legislatura se escuitárom vozes pedindo a implementaçom da Directiva Europeia da televisom transfonteiriça, i.e. a retransmissom na Galiza de rádios e televisões portuguesas a resposta foi mais que negativa, como se a proposta fosse umha toleria.
- Um rapaz galego médio estuda inglês durante uns 9 anos, ao cabo dos quais tem um domínio da língua de Shakespeare bastante reduzido, i.e. a razom resultados/esforço é francamente má. Por outro lado, e a pesar do que se diga, o uso que lhe vai dar aos conhecimentos adquiridos é anedótico. Porém o esforço necessário para um rapaz galego dominar o português é muitíssimo menor, ou seja a razom resultado/esforço é muito melhor que no caso do inglês, e Portugal segue a ficar ao outro lado da fronteira sul galega. Contudo em todos os centros galegos de primária e secundária estuda-se o inglês como primeira língua estrangeira, e só em muito poucos, se quadra menos que os dedos dumha mao, é possível estudar português, e para isso nuns poucos cursos e como 2ª língua estrangeira.
As cousas nom tinham porque ser assi, mas assi som.
Voltar a Opinión
Ir á Portada |
José Ramom Flores d'as Seixas (Lugo 1963). Doutor em ciências físicas pola
Universidade de Santiago de Compostela, e professor da mesma universidade no Departamento de Física Aplicada. Activista da língua de do software livre, é autor de vários dicionários galegos para correctores ortográficos livres, e dun breve curso de portugués para galegos.
Outros artigos de José Ramom Flores d'as Seixas:
* Cooperaçom transfonteiriça (12/03/2007)
|