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*Para
Chávez e Fidel, Cúpula das Américas é
"a do fracasso da Alca"
Redacción
31 de outubro 2005
O secretário do Comércio dos Estados
Unidos, Carlos Gutiérrez, afirmou que a Cúpula das
Américas, nos dias 4 e 5 de novembro, na cidade argentina
de Mar del Plata, é uma "grande oportunidade"
para impulsionar a criação da Área de Livre
Comércio das Américas (Alca). Entretanto, o
presidente da Venezuela, Hugo Chávez, vai participar do
encontro com o objetivo de reforçar sua oposição
ao projeto. "Estaremos em Mar del Plata para dizer Alca, o
cacete!", disse Chávez. Para ele, os Estados Unidos
querem usar o evento com o objetivo de isolar seu país.
Segundo Chávez, "a Alca morreu".
Ontem
(30), Chávez repetiu o discurso. "O debate está
muito bom, sobretudo nas ruas argentinas; parece que a coisa está
melhor ainda nas ruas, há um fervor latinoamericanista
(...) em Mar del Plata", afirmou em seu programa dominical de
rádio e televisão "Alô, presidente!"
"O debate está colocado: os que queiram ir ao inferno,
que tomem o caminho do capitalismo, do neoliberalismo; os que,
como nós, a maioria, queremos um mundo melhor, temos que ir
buscando um caminho alternativo", afrimou.
Proposta
da Alba
O presidente lembrou que "desde a
Venezuela lançamos a proposta de Alternativa Bolivariana
para as Américas (Alba), como integração para
a vida e contra a Alca proposta por Washington, uma proposta
hegemônica, imperialista e neocolonialista". A Alba,
que "já tem vida e já está andando",
explicou, baseia-se na complementaridade e na solidariedade entre
os países, em potencializar as vantagens comparativas de
cada nação, e não como a Alca neoliberal,
"uma fase superior do capitalismo".
A proposta de
Washington, acrescentou, "tem como cartilha reduzir o
investimento público, o que chamam de gastos públicos",
e que as forças do "mercado" assumam o
financiamento da saúde e da educação, por
exemplo, "em benefício unicamente daqueles que possam
pagar por isso". Esse é o objetivo neoliberal, "mas,
claro, o descaramento não é tanto e então
disfarçam com um discurso tecnocrático e falam de
equilíbrio fiscal e redução da despesa
pública", acrescentou. Chávez lembrou que,
apesar disso, é o próprio governo dos Estados Unidos
o que tem "o maior desequilíbrio fiscal do
planeta".
Em contraposição, destacou que
"a nossa visão é socialista, a que coloca o
social na frente; isto é o essencial do socialismo, no meu
critério. É o socialismo que nós precisamos
para sair do esquema terrível do capitalismo neoliberal".
Além de participar das deliberações da Cúpula
em 4 e 5 de novembro, junto com Bush e outros 32 chefes de Estado
— todos os da América menos Cuba —, Chávez
assistirá a algumas das manifestações de
protesto contra o presidente norte-americano.
Nova
investida
Gutiérrez, o secretário do
Comércio dos Estados Unidos, disse ao jornal argentino La
Nación que "a Cúpula será uma grande
oportunidade para impulsionar a Alca. Cada vez que nos juntamos
aos governos do hemisfério devemos falar de livre
comércio". Segundo o secretário
norte-americano, o objetivo dos Estados Unidos é "entrar
no acordo com toda a região, junta, unida, mas se isso não
for possível avançaremos com acordos bilaterais".
O governo argentino avisou que esta não será a
Cúpula da Alca, como se pensou originalmente.
A
Alca, prevista como zona de livre comércio desde o Alasca
até a Terra do Fogo, devia começar a funcionar em 1º
de janeiro deste ano, mas Brasil, Argentina e Venezuela rejeitaram
a iniciativa por considerar que os Estados Unidos não abrem
seu próprio mercado aos produtos da região, em
particular os agrícolas. Para Chávez, essa nova
investida norte-americana também será infrutífera.
"Acho que os Estados Unidos não contavam com as forças
de governos progressistas como os de Argentina, Brasil ou Uruguai,
nem com os movimentos populares", disse Chávez.
Segundo
o presidente venezuelano, a reunião de Mar del Plata foi
planejada em 2001 na Cúpula das Américas do Canadá,
em que a Venezuela foi o único país a fazer suas
ressalvas sobre a Alca. "Claro que não constavam nas
contas do império, quando definiram eles mesmos (os
americanos) as sedes destas cúpulas, que o povo digno,
irmão, profundo e infinito da Argentina ia se rebelar como
se rebelou naquele dezembro para romper o caminho imposto pelo
neoliberalismo", afirmou.
Fidel e Maradona
Quem
também se manifestou sobre o evendo foi o presidente cubano
Fidel Castro. Numa mesa-redonda com o ex-jogador argentino Diego
Armando Maradona, televisionada em 27 de outubro, o líder
revolucionário qualificou a Cúpula das Américas
como a "Cúpula do fracasso" da Alca. Maradona
liderará, junto com sua filha, uma marcha gigante que
organizam os argentinos para protestar contra a presença de
Bush na Cúpula, segundo informou Fidel Castro. "Há
gente na Argentina que reprova a assistência de Bush ao
encontro. Eu sou a primeira pessoa. Ele nos prejudicou muito. Para
mim, é um assassino, nos menospreza e nos espezinha. Eu vou
liderar, junto com minha filha, essa passeata", disse
Maradona.
Referindo-se à reunião hemisférica
criada pelos Estados Unidos para defender seus interesses na
América Latina, o líder cubano enfatizou que no
Canadá, durante o penúltimo foro, milhares
protestaram e denunciaram a Alca. "Esse é um país
com história, submetido a agressões, despejos,
saques, um povo que tem sofrido muito", disse Fidel falando
da Argentina e acrescentou que muitas pessoas ali criticaram que o
presidente ianque viaje a essa nação num
porta-aviões. Mas ali ninguém vai empregar a força,
senão a vergonha e o repúdio à Alca.",
disse. "Bush é o homem da guerra, o da doutrina
pós-hitleriana, porém mais abertamente ao falar de
ataques inesperados a qualquer país, e seu país é
o que mais influiu no terror, o qual praticou, durante dezenas de
anos contra Cuba", lembrou o presidente cubano.
Mais
informações sobre a Cúpula no site
www.cumbredelospueblos.org.
Com
agências internacionais Nova publicada no
Diário
Vermelho
.
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