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ONU exige que EUA deixem controle da internet


Redacción 31 de outubro 2005 A batalha pelo controle do sistema de domínios da internet promete ser dura quando for inaugurada na Tunísia, no dia 16 de novembro, a segunda fase da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (CMSI). Esta é a impressão dominante entre os especialistas que têm a responsabilidade de preparar a reunião, que deve contar com a presença de cerca de 50 chefes de Estado, como aconteceu na primeira fase da cúpula, realizada em Genebra, no fim de 2003.

Em mensagem divulgada ontem (30), o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse que não procede os boatos de que as Nações Unidas queiram "se apossar" da internet, exercer um trabalho de polícia sobre a rede ou controlá-la de alguma forma. A disseminação desses argumentos possivelmente surgiram nos Estados Unidos, que lutam para manter a rede sob seu controle. O que a ONU quer, afirmou Annan, é promover o diálogo e o consenso entre os governos para que todos os povos, reduzindo assim a exclusão digital e construindo uma sociedade da informação aberta.

Fator político negativo

O secretário-geral da ONU ressaltou que os Estados Unidos, que criaram a internet, merecem gratidão, mas devem admitir a necessidade de internacionalizar os mecanismos de administração da rede devido à importância que tem para a economia de todos os países do mundo. Os Estados Unidos não estão interessados em que a comunidade internacional os substitua no controle da rede. Na prática, o departamento de Comércio dos Estados Unidos é que regula esse sistema através da Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números (Icann, em sigla em inglês), um organismo com sede no estado da Califórnia e sem fins lucrativos.

Teresa Swinehart, uma das dirigentes da Icann, afirmou que, se o organismo for substituído por uma corporação internacional, isso "representaria a introdução de um fator político negativo". Em junho deste ano, o governo norte-americano anunciou que não abandonará o controle desse sistema e o departamento de Estado informou que essa decisão será mantida "independentemente do que acontecer na conferência da Tunísia". Para os Estados Unidos, o controle da rede não é tema sujeito à negociação e não parece possível que esta posição mude, como anunciou o presidente da Comissão Européia (CE, órgão Executivo da União Européia), José Manuel Durão Barroso, durante a visita que fez a Washington na semana passada.

Fragmentação da rede

A UE defende o multilateralismo como método de governo para a rede. Essa também é a posição do Brasil, da China e da Rússia, entre outros países. Nesta polêmica, os Estados Unidos podem ficar isolados na cúpula da Tunísia. Congressistas democratas e republicanos pediram ao presidente George W. Bush que não ceda o controle da internet e disseram que isto é necessário para "preservar o livre comércio". O departamento de Comércio e a Icann estão ligados por um contrato que expira no fim de 2006, mas o governo já disse que se oporá à criação de um fórum multinacional que substitua o organismo de controle de nomes e números de domínios na rede.

A Comissária da UE para a Internet, Viviane Reding, afirmou que a rede pode se fragmentar caso os Estados Unidos não mudem sua postura de "xerife da Internet". "Os Estados Unidos estão totalmente isolados e isso é perigoso", disse Reding. "Imagine os brasileiros ou os chineses implantando sua própria Internet. Isto seria o fim da história. Temo que possa haver uma fragmentação da Internet, caso não seja fechado um acordo", acrescentou.

Com agências internacionais
Nova publicada no Diário Vermelho
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