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Após vitória do Hamas, UE vacila sobre ajuda à Palestina


Redacción 31 de xaneiro 2006 Durante reunião realizada ontem (30/1) pelos ministros do Exterior dos países da União Européia (UE), ficou decidido que o bloco vai esperar a formação do novo gabinete da ANP (Autoridade Nacional Palestina), para decidir se continuará a ajudar financeiramente o governo palestino.

A UE quer que o Hamas, partido islâmico vencedor nas eleições palestinas realizadas no último dia 25, renuncie à violência e reconheça o Estado de Israel. A UE sinalizou que pode interromper a ajuda, caso o novo governo não atenda às suas condições.

Segundo o ministro espanhol de Assuntos Exteriores, Miguel Angel Moratinos, "a UE não adotou nenhuma decisão sobre as ajudas financeiras aos palestinos e esperará a formação do novo governo palestino".

"Há que se evitar uma resposta fácil. Seria contraproducente formular hoje ameaças", declarou, por sua vez, seu colega francês Philippe Douste-Blazy, sobre a possibilidade de se congelar as ajudas ao governo do Hamas.

"Foi enviada uma mensagem clara ao Hamas, vamos ver como reagirá", disse Moratinos. Ele disse que, embora não se tenha fixado nenhum prazo, cogita-se um "um período entre cinco semanas e três meses" para a formação do novo parlamento.

O ministro espanhol também declarou que o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, é a melhor ligação com a comunidade internacional e possibilita que sejam mantidas as negociações com Israel e a UE.

Em Ramallah, Abbas disse para a primeira-ministra alemã, Angela Merkel que, apesar da vitória eleitoral do Hamas sobre sua facção, a antes hegemônica Fatah, os palestinos sob sua liderança continuarão interessados em eventuais negociações com Israel, mantendo todos os compromissos assumidos.

"Salientei a importância da continuação do apoio financeiro e de outros tipos de ajuda por parte dos países doadores", disse Abbas em entrevista coletiva. Segundo o presidente palestino, sem tal ajuda será impossível construir um Estado pacífico ao lado de Israel.

Israel também precisa fazer sua parte

A UE também lembrou ontem a Israel que o país "deve aderir à suas obrigações constantes no "Mapa do Caminho", o plano de paz promovido pelo quarteto de Madri (UE, EUA, Rússia e ONU), que prevê a coexistência pacífica de dois Estados – um israelita e outro palestino, no Oriente Médio.

Israel congelou ontem as transferências geradas pelos impostos e pelas alfândegas que a ANP tem direito de receber, segundo os acordos de Oslo de 1993.

A comissária européia de Relações Exteriores, Benita Ferrero-Waldner, ressaltou que a Comissão Européia está consciente das atuais "dificuldades financeiras" da ANP e apelou para "um esforço orquestrado da UE, de Israel e dos países árabes", para permitir seu funcionamento. Não queremos o colapso da ANP e queremos reforçar Abbas, que é um fator chave", afirmou.

A Comissão Européia outorgou 280 milhões de euros aos palestinos em 2005. Desse montante, 70 milhões financiaram a ANP através do fundo fiduciário do Banco Mundial, dos quais 35 milhões foram congelados pela Instituição, com a justificativa de que o governo palestino não cumpriu de uma série de compromissos de controle de gastos.

EUA se negam em colaborar com Hamas

O Hamas e o presidente Abbas pediram ontem a doadores internacionais que não cortem a ajuda financeira à ANP. Os Estados Unidos, porém, se recusam terminantemente em colaborar com o novo governo palestino.

O presidente dos EUA, George W. Bush, aliado do Estado judeu, disse que o seu país "quer trabalhar com um movimento palestiniano que seja parceiro para a paz e não com um Governo que queira destruir Israel".


Fonte:
Diário Vermelho.


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