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*Brasil
recebe o corpo de seu filho assassinado pela polícia
britânica
Redacción,
29 de xullo 2005.
O corpo do brasileiro assassinado pela Scotland Yard com oito
tiros no último dia 22 foi velado ontem por uma multidão
com faixas de luto e pedidos de paz em Gonzaga, interior de Minas
Gerais. Num gesto de patriotismo e indignação, a
Prefeitura decretou ponto facultativo e hoje é feriado
municipal. Segundo a polícia, mais de 10 mil pessoas de
Gonzaga e das cidades vizinhas foram prestar sua homenagem ao
jovem, que tinha 27 anos. O enterro acontecerá hoje às
15h.
O corpo de Menezes chegou ao Brasil na manhã da
quinta-feira, em um avião da Varig que pousou às
6h25 no aeroporto internacional de São Paulo, em Cumbica
(Guarulhos). Cerca de duas horas depois, foi transferido para um
avião da FAB (Força Aérea Brasileira) e
seguiu para Governador Valadares. Da cidade, o corpo foi
transportado para Gonzaga em um carro do Corpo de Bombeiros. O
caixão, coberto por uma bandeira do Brasil, seguiu até
Gonzaga em cortejo sobre um caminhão do corpo de bombeiros
desde Governador Valadares (MG), percorrendo um trajeto de cerca
de 90 quilômetros até a Igreja Matriz de São
Sebastião, onde ocorreu o velório. Três dos
quatro primos do eletricista que moram na Grã-Bretanha
acompanharam o vôo que trouxe o corpo de Jean ao Brasil.
A
caminhada acabou se tornando um ato público pela paz e
contra as ações de violência da polícia
britânica, que apoiadas pelo governo, atiram para matar no
combate contra o terrorismo. Faixas nas cores da bandeira do
Brasil e outras com mensagens de solidariedade se espalharam pela
cidade. Muitos comerciantes permaneceram com as portas fechadas em
sinal de luto. Toda a cidade prestou condolências. A mãe
de Menezes novamente passou mal.
O secretário
nacional de Direitos Humanos Mário Mamede participou do
velório representando o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva. Para os parentes, Jean será enterrado hoje “como
um herói”. Eles agradeceram a ajuda e mensagens de
apoio do governo e da população brasileira.
Menezes
foi brutalmente baleado após ser, segundo a Scotland Yard,
confundido com um terrorista. O eletricista levou oito tiros da
polícia britânica - sete na cabeça e um no
ombro - após ter sido interceptado por policiais britânicos
à paisana em Stockwell.
Desculpa inglesa
Um
inquérito sobre a morte do brasileiro foi aberto pela
Comissão Independente de Reclamações contra a
Polícia (IPCC, na sigla em inglês), para investigar a
controversa ação da polícia britânica,
que conta com todo apoio governamental na campanha contra o
terror. Tentando desmerecer a execução, o Ministério
da Justiça da Grã-Bretanha divulgou ontem um
comunicado no qual afirma não reconhecer o visto carimbado
no passaporte de Jean Charles que daria ao brasileiro residência
permanente no país.
Sem titubear, o governo
brasileiro respondeu também em nota acentuando que essa
constatação não diminui a responsabilidade do
governo britânico pela "morte trágica de um
cidadão brasileiro inocente e pacífico",
especialmente no que diz respeito aos processos de investigação
e de indenização à família de Menezes.
"Sem entrar no mérito dessa última informação,
é entendimento do governo brasileiro que em nada se altera
a responsabilidade das autoridades britânicas pela morte
trágica de um cidadão brasileiro inocente e
pacífico", ressaltou o Itamaraty. "Não
deve, portanto, ter qualquer influência sobre as
investigações conduzidas a respeito da tragédia
ou sobre as medidas que o governo britânico deverá
tomar como reparação à família do sr.
Jean Charles de Menezes".
Na nota, o Itamaraty
informou que o ministro das Relações Exteriores,
Celso Amorim, recebeu ontem uma carta do secretário de
Exterior britânico, Jack Straw, na qual explicou as
"condições imigratórias" de
Menezes. Mas destacou que esse dado novo apresentado por Straw
contraria a versão anterior apresentada pelas próprias
autoridades britânicas, no início da semana.
Outra
duplicidade de informações ocorreu sobre a
quantidade de tiros que mataram o jovem brasileiro. A primeira
informação divulgada no final de semana era de que
tinham sido cinco os tiros que o mataram. Há dois dias foi
revelada a correção de que foram oito. A confusão
gera incertezas à opinião pública
internacional sobre a veracidade de todas informações
sobre a ação, que foi na verdade um assassinato à
queima roupa.
Terror e ódio
Não
são só os brasileiros que têm reclamado em
Londres. Grupos muçulmanos denunciaram ontem que os ataques
contra asiáticos e minorias religiosas na capital
aumentaram mais de 500 por cento. Em todo o país um homem
foi assassinado, uma mesquita foi incendiada, um templo sikh
atacado e outros prédios e indivíduos alvejados. O
Fórum de Segurança Muçulmana (MSF, na sigla
em inglês), que reúne organizações
muçulmanas e que costuma assessorar a polícia,
alertou para a ocorrência de mais de 230 crimes
"relacionados à fé", com base em registros
da polícia. No mesmo período do ano passado, houve
apenas 36 crimes do tipo.
O grupo Comissão pelos
Direitos Humanos Islâmicos (IHRC) disse ter registrado um
grande aumento nas denúncias. "Costumávamos ter
de cinco a seis casos trazidos a nós por semana. Agora
estamos recebendo 100", disse o presidente do grupo, Massoud
Shadjareh.
Ao contrário da preocupação
geral em torno dos atos, o chefe da polícia de Londres, Ian
Blair, avalia que esses crimes motivados por raça ou
religião continuam em um nível baixo para uma grande
cidade. Para ele, as estatísticas podem oscilar
significativamente conforme o dia. "No seu auge... crimes com
motivações racistas alcançaram cerca de 65
delitos (por dia) logo depois de 21 de julho em Londres, em
comparação aos 40 registrados anteriormente",
disse. "Ontem, por exemplo, (os crimes racistas) ficaram
abaixo dos 30", considerou.
Mas as estatísticas
provam que alguns britânicos ignoraram os apelos da polícia
e de líderes políticos para não culpar os 1,6
milhão de muçulmanos que vivem no país pelas
ações dos terroristas.
Nova
publicada no Diário
Vermelho
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