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*Telesul:
"é dado um passo na construção de uma
nova realidade na América Latina”
Redacción,
28 de xullo 2005.
Diretamente
de Caracas, se iniciaram as transmissões do canal
latino-americano Telesul. O ministro Izarra afirmou que esta é
uma iniciativa contra o imperialismo cultural e pretende revelar a
alma dos latino-americanos.
Comemorando
o 222º aniversário do libertador Simón Bolívar
(24 de xulho), ao meio dia, o canal de televisão regional
Telesul iniciou suas transmissões oficiais para todo o
continente americano.
A
cerimônia se realizou no Teatro Teresa Carreño de
Caracas, com a presença do presidente da emissora Andrés
Izarra, o vice-presidente Aram Aharonian e o Conselho Assessor da
Telesul, integrado por jornalistas e personalidades do mundo. A
transmissão ao vivo, via satélite, teve a
participação de diversos correspondentes em cidades
latino-americanas.
“A
América retoma o caminho de Bolívar”, comentou
o presidente da Venezuela Hugo Chávez, ao sair do Panteão
Nacional onde se comemorou o aniversário de nascimento de
Bolívar. Após citar Pablo Neruda, o presidente
destacou que o nascimento da Telesul aconteceu em um bom dia, que
se converteu em uma iniciativa que aproximará ainda mais os
povos latino-americanos em busca da integração”.
O
ministro da Comunicação e Informação
venezuelano, Andrés Izarra, afirmou que “com o
surgimento do canal foi dado um passo para a construção
de uma nova realidade na América Latina”. Ele
manifestou que o propósito inicial é revelar a alma
destes povos para reconhecer realmente quem são e de onde
vêm cada um dos seres que habita nesta região.
Izarra
destacou ainda que esta é uma iniciativa de resistência
ao imperialismo cultural que sempre imperou. E esclareceu que isso
não se deve interpretar como agressão ou
contrariedade a nenhum país, “especialmente aos
Estados Unidos”. Pelo contrário, o discurso de Izarra
durante o lançamento do sinal deixou claro que trata-se de
mostrar à região e a todo o mundo os pequenos
detalhes de cada cultura características de cada um destes
países.
Latifúndio midiático
Aram
Aharonian, um dos criadores do projeto e diretor geral da Telesul,
assegurou que o canal não se distanciará nem um
minuto de seus propósitos inicias, mesmo com a reação
adversa das autoridades estadunidenses. Ele apontou que Telesul é
um canal para efetivar pontes entre os países e para a
integração com uma linguagem própria desta
região americana. “Desde o norte nos vêm em
branco e preto, quando na realidade somos um continente
tecnicólor”, ressaltou.
“Começamos
a romper os latifúndios midiáticos na América
Latina com uma ferramenta muito importante para a integração
latino-americana”, disse o jornalista uruguaio. “Nos
falta muitíssimo. Recém começamos. Vamos
perdendo por goleada, mas começamos a buscar ferramentas
que sirvam para contrapor tudo isso”, afirmou em alusão
ao predomínio dos meios de comunicação
estrangeiros na região.
Ele considerou que um dos
propósitos fundamentais do canal é permitir aos
latino-americanos se ver com os próprios olhos e não
através dos meios de comunicação
estrangeiros.
Questionado sobre a decisão da Câmara
de Representantes dos Estados Unidos de começar as
transmissões de rádio e televisão contra a
Venezuela, em uma clara resposta à Telesul, o diretor
chamou a iniciativa de ridícula. “Os congressistas
norte-americanos parecem ignorar que na Venezuela há mais
de 40 emissoras de televisão privadas, somente duas
estatais, e que são vistos 128 canais a cabo”.
Segundo seu critério, na realidade, é uma
tentativa de desqualificar a Telesul antes de nem sequer ter
transmitido um só programa. É uma maravilha da
ciência ficcional. Aharonian informou que o objetivo é
amedrontar e criar uma matriz de opinião adversa a Telesul
mas considerou que, ainda que esta mensagem possa confundir as
pessoas em alguns países, em geral está claro o
propósito integracionista do canal. “De certa forma,
esse ataque nos enche de satisfação e orgulho, pois
mostra que vamos pelo caminho correto, com o propósito de
dar uma nova opção aos telespectadores
latino-americanos”.
Programação
O
diretor de Informação do canal, o jornalista e
realizador colombiano Jorge Enrique Botero, lembrou que a partir
deste domingo a Telesul inicia a transmissão de quatro
blocos diários de seis horas cada um. É uma
programação experimental até setembro, que
inclui segmentos informativos, crônicas, documentários
e cinema da América Latina.
Nesta primeira etapa, o
novo canal latino-americano Telesul poderá ser visto na
Venezuela no sinal de televisão a cabo, através dos
canais 128 da Directv, 77 do Supercable, 92 de Intercable e 70 de
Netuno. Os blocos de programação serão
retransmitidos pela Venezolana de Televisión, Vive TV e
Catia TV. Enquanto que na América Latina vários são
os canais regionais comunitários que transmitirão o
sinal: Canal 7 da Argentina, TV Caribe na Colômbia, Canal 5
no Uruguai e a TV Comunitária do Rio de Janeiro no
Brasil.
Crise da mídia
Durante a
transmissão de lançamento da multiestatal, o editor
do jornal francês Le Monde Diplomatique, Ignácio
Ramonet, afirmou que a criação da emissora pode ser
uma saída para a crise da mídia. "A Telesul é
importante porque atualmente os meios de comunicação
estão em crise. Não pela ausência de opção.
Há vários meios, mas um único discurso",
disse. Ramonet é um dos integrantes do Conselho Assessor da
Telesul, formado por jornalistas, intelectuais e estudiosos do
mundo contemporâneo.
Segundo ele, um dos maiores
desafios da mídia é a busca pela qualidade. "Uma
das principais carências do mundo midiático atual é
a qualidade. Se a Telesur quiser vencer a batalha pela soberania
comunicacional terá que lutar por ela".
O
conselheiro norte-americano Richard Stallman, um dos criadores do
software livre, ressaltou que se a emissora quiser se tornar uma
realidade são necessárias pelo menos duas coisas:
apresentar outras idéias e fazer com que elas sejam
ouvidas. "A Telesul não pode ser assistida apenas por
intelectuais", afirmou. Para ele, caso os Estados Unidos
enviem sinais de rádio para neutralizar o sinal de satélite
da Telesur será preciso que "a Telesul envie
transmissões de rádio em inglês para dizer aos
cidadãos dos EUA as idéias que eles não ouvem
nos canais Fox e CNN".
Para o ator norte-americano
Danny Glover, a Telesul tem uma grande possibilidade de integrar
os povos da América Latina e as diferentes realidades, para
enfrentar o que chamou de o "gigante do norte". Ele
chamou a atenção para a ausência de mais
mulheres e de representantes negros no conselho da nova
emissora.
Também participam do Conselho Assessor da
Telesul os argentinos Adolfo Pérez Esquivel (Premio Nobel
da Paz), Fernando Pino Solanas, Atilio Borón, Tristán
Bauer; os cubanos Silvio Rodríguez e Julio García;
os norte- americanos Harry Belafonte, James Early e Saul Iandau. O
uruguaio Eduardo Galeano; o nicaragüense Ernesto Cardenal; o
boliviano Jorge Sanjinés; os brasileiros Walter Salles,
Fernando Morais e Orlando Sena; os mexicanos Pablo González
Casanova, María Rojo e Carmen Lira; o paquistanês
Tariq Ali; o belga Michel Collon; os colombianos Alfredo Molano e
Ramiro Osório; o peruano Javier Corcuera; o venezuelano
Luis Britto García; o dominicano Chiquie Vicioso; o italino
Gianni Miná e o chileno Manuel Cabieses.
Nova
publicada no Diário
Vermelho .
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