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*Fracassa reunião Villepin-estudantes; França à espera da greve geral


Redacción 27 de marzo 2006 Os líderes das quatro principais entidades estudantis da França ignoraram um convite para uma reunião convocada para este sábado (26) pelo primeiro-ministro Dominique de Villepin. Eles disseram que continuarão com as manifestações contra o Contrato de Primeiro Emprego (CPE), aprovado pela maioria governista no Parlamento no último dia 16. O primeiro ministro propôs a reunião, mas apenas para discutir mudanças na lei e não a sua retirada.

"A palavra está com a rua", sintetizava em sua edição de ontem o jornal Le Monde. Sindicalistas confirmaram a greve geral convocada para a próxima terça-feira (28) em repúdio ao CPE. Os estudantes, que já paralizaram diversas escolas e universidades, devem participar também do dia de luta – reeditando uma aliança que teve seu ponto alto na quase-sublevação de maio de 1968. "Esta terça pode ser a hora da virada", previa ontem Bernard Thibault, secretário-geral da principal central sindical francesa, a CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores, de inspirtação comunista).

"O convite é uma provocação"

"O convite é uma provocação, pois Dominique de Villepin se propõe a discutir as formas de implementar a CPE", afirma Bruno Juliard, presidente da Unef (União dos Estudantes da França), a maior entidade estudantil do país.

Os estudantes que boicotaram o encontro com o chefe de governo divulgaram uma carta aberta a Villepin, criticando o governo da direita. "Isto é grave. É uma piada propor um diálogo assim", disse Julie Coudry, a presidente da Confederação dos Estudantes.

Na sexta-feira, os líderes do movimento anti-CPE saíram resapontados de uma primeira tentativa de negociação, desde que começou a maré de manifestações de rua. Depois de pouco mais de uma hora, nenhum avanço foi registrado. "O primeiro ministro não tinha nada a nos dizer", atacou outro dirigente sindical, François Chérèque, da CFDT.

O que prevê a lei repudiada

O CPE é repudiado porque flexibiliza direitos trabalhistas a pretexto de abrir postos de trabalho para a juventude. Em especial, permite que o patrão demita um trabalhador de menos de 26 anos de idade e dois anos no emprego, sem lhe pagar os seus direitos. As pesquisas mostram que a maioria dos franceses não concorda com a lei.

Diante da recusa das entidades estudantis, Villepin reuniu-se com representantes de outros grupos de estudantes, ligados à base do governo e que não participam dos protestos das últimas semanas. "Quero dar respostas às duas principais preocupações dos jovens sobre o CPE: o período de dois anos e as condições do término do contrato", disse o governante ao fim do encontro, em um indicativo da defensiva em que se encontra o governo.

Outro que tira partido do enfraquecimento de Villepin é Nicolas Sarkozy, ministro do Interior, que rivaliza com o primeiro ministro para ser o candidato da direita nas próximas eleições presidenciais. "Com 20 anos de desemprego em massa, 15 anos de um crescimento econômico medíocre, dez anos de um poder de compra ridículo, sete mudanças políticas desde 1981, como podemos acusar os jovens por estarem gritando o que seus pais pensam?", disse Sarkozy ontem, numa reunião do UMP, o partido do governo.


Fonte: Diário Vermelho.

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