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*Humala
prega Constituinte e "Segunda República" no
Peru
Redacción
27 de febreiro 2006
O candidato
alternativo às eleições presidenciais de 9 de
abril no Peru, Ollanta Humala, defendeu neste domingo (26) a
convocação de uma Assembléia Nacional
Constituinte, para constituir uma "Segunda República",
sobre os escombros "de um país comprometido com os
capitais estrangeiros".
"A
grande transformação"
Coronel
do exército, nacionalista e mestiço, Humala está
situado em segundo lugar nas pesquisas. O presidenciável
prometeu um país "que se faça respeitar"
na comunidade internacional, ao lançar sua plataforma de
governo, intitulada "A grande transformação".
A
plataforma inclui a suspensão do TLC (Tratado de Livre
Comércio) com os Estados Unidos. Propõe uma maior
participação estatal no setor energético e a
revisão dos contratos com multinacionais que operam no Peru
– entre eles a recente concessão do gás de
Camisea.
O lançamento da plataforma de governo foi
na Vila El Salvador – uma favela surgida na década de
70 do século passado, quando dezenas de milhares de
imigrantes, vindos principalmente das zonas rurais andinas,
ocuparam os terrenos desérticos em torno de
Lima.
Constituição
vigente é a de Fujimori
O
candidato recordou que o Peru "se rege atualmente por uma
Constituição neoliberal e delinquente do
ex-presidente Alberto Fujimori". A atual Constituição
peruana, de 1933, foi semi-outorgada por Fujimori depois de um
auto-golpe que incluiu o fechamento do Congresso Nacional.
Allém
da Constituinte Humala defendeu o fim da reeleição
para qualquer cargo público. E pregou a derrota "de
uma classe política frívola que não
representa os interesses da nação". A "Segunda
República" incluirá ainda a reconstituição
do Exército, que ele confiaria a oficiais da reserva, que
chamou de "velhos soldados".
"Iniciaremos
com uma nova Constituição, com uma nova repartição
do poder no Peru, que seja justa e onde os 50% de peruanos que
vivem na pobreza possam encontrar uma esperança",
afirmou. Sua proposta inclui a redução da taxa de
pobreza extrema para 15% da população, com a
inclusão social de um milhão de peruanos. Para isso,
Humala pretende elevar os gastos sociais para 1% do PIB (Produto
Interno Bruto).
Segundo
lugar numa eleição incerta
"A
nossos irmãos cocaleros, diremos que não vamos
destruir a sua atividade. Buscaremos a substituição
rentável de nossa coca e a sua industrialização",
afirmou, tocando outro ponto controvertido. A coca, cultivada nos
Andes desde tempos imemoriais, é objeto de um plano de
erradicação por parte da administração
norte-americana, por servir de matéria prima para a
cocaina, que tem nos EUA o seu principal mercado consumidor.
No
plano macro-econômico a plataforma de Humala foi ortodoxa.
Ele prometeu para os próximos cinco anos uma inflação
nunca superior a 2,5% ao ano, um déficit fiscal de no
máximo 1% do PIB e uma carga tributária de não
mais de 18% do PIB.
Conforme a última pesquisa do
instituto Dantum, o primeiro turno é liderado pela
candidata conservadora Lourdes Flores, com 35% das intenções
de voto. Humala figura em segundo lugar, com 25%. Em terceiro, com
17%, vem o ex-presidente Alan García, do Apra, um
tradiucional partido de centro-esquerda. O segundo turno é
tido como garantido e de desfecho incerto.
Fonte:
Diário
Vermelho.
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