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*O futebol é umha arma carregada de futuro


Redacción 26 de abril 2006 25 de Abril, 32 anos cumprem-se desde que o movimento popular em Portugal derrocara a ditadura salazarista. Ainda a 16 de Março, desse ano 74 dos cravos, produzia-se um primeiro ensaio revolucionário: militares aquartelados nas Caldas da Rainha, insubordinavam-se e avançavam em direcçom a Lisboa. O governo, advertido já desta tentativa, aguardava os militares antifascistas com forças de artilharia, cavalaria e com a GNR, a Guarda Nacional Republicana. Os patriotas tivérom de regressar às Caldas, e a versom oficial selou o assunto como umha “rendiçom sem resistência”.

Ao dia seguinte, 17 de Março, jogavam o Sporting de Lisboa e o Porto.
A férrea censura imposta pola ditadura foi fintada por um jornalista do diário “A República”, Eugénio Alves, que foi quem de relatar, valendo-se da ironia, o episódio da intentona revolucionária aproveitando a crónica futbolística do dérbi luso. A sua linguagem, ainda cifrada, nom deixa lugar para as dúvidas: a jornada ia continuar, a luita estava viva. Este é o fragmento mais significativo da sua crónica, que intitulava “Quem travará o passo dos leões?”:

«Os muitos nortenhos que no fim-de-semana avançaram até Lisboa sonhando com a vitória acabaram desiludidos com a derrota. O adversário da capital, mais bem organizado e apetrechado (sobretudo mais bem informado da sua estratégia), contando ainda com uma assistência fiel, fez abortar os intentos dos homens do Norte. Mas parafraseando o que em tempos dissera um astuto comandante, perdeu-se uma batalha, mas não se perdeu a guerra».

No jogo, o Sporting venceu por 2-0. Oito dias depois, o povo saia à rua. A guerra nom se perdeu, certo é, mas ainda está por ganhar. A luita, sempre viva. As crónicas, afiadas e combativas.

Fonte: futbolgalego.net
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