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*Rascunho
de constituição une xiitas e sunitas contra divisão
do Iraque
Redacción,
25 de agosto
2005
Uma nova onda de confrontações irrompeu no Iraque
entre os apoiadores do líder religioso Muqtada al-Sadr,
xiita, e por facções sunitas de um lado e a polícia
iraquiana do outro. Ocorreram conflitos nas ruas de Najaf e Bagdá
ontem. Em Bagdá, seguidores de al-Sadr cercaram três
escritórios do Conselho Supremo pela Revolução
Islâmica. Seguiu-se um tiroteio feroz entre os manifestantes
e a polícia, no leste da cidade, nos bairros de al-Habibiya
e Cidade Sadr.
"Cinco pessoas morreram, algumas delas
eram seguidoras de al-Sadr, e sete outras foram feridas nos
conflitos", disse Saíb al-Amiri, secretário-geral
da oraganização Shaíd Alá (Mártires
de Deus), que é ligada ao movimento de al-Sadr.
Al-Sadr
declarou-se contra a "federalização"
proposta pelo rascunho da nova constituição,
aliando-se aos sunitas, que também vêm o risco de uma
"balcanização" do Estado
iraquiano.
Rascunho
polêmico
Os
conflitos entre a polícia e os manifestantes deixam o
parlamento em uma situação difícil. O prazo
para votar o texto termina hoje, quinta-feira. Caso não
seja votado, o rascunho deverá ser submetido a um referendo
popular em outubro deste ano.
"O texto constitucional,
em sua forma atual, é ilegal e não representa todas
as tendências do povo iraquiano. Nossa ambição
é chegar a um acordo pacífico, mas se isso não
for possível, faremos tudo o que estiver ao nosso alcance
para que ele fracasse no plebiscito", disse o
secretário-geral do Congresso Nacional Sunita (CNS), um dos
grupos políticos mais influentes do Iraque, Adnan al
Duleimi.
O documento, feito às pressas com o
consenso de xiitas e curdos, foi entregue na segunda-feira ao
Parlamento. Mas devido às objeções sunitas, a
Câmara decidiu conceder uma nova prorrogação
de três dias aos representantes das diferentes comunidades,
para que resolvessem suas divergências antes de votar sua
eventual aprovação.
Caso o novo texto não
seja aprovado, deverá ser submetido a plebiscito em
outubro. "Não vamos permitir que ninguém nos
isole, porque nós não queremos deixar ninguém
de lado. Nós vamos nos manter no Iraque e não
deixaremos que ninguém divida este país",
afirmou al-Duleimi.
O secretário-geral da CNS
insistiu, no entanto, que sua comunidade continua disposta a
cooperar com xiitas e curdos, apesar de ambos os grupos terem
levantado obstáculos para impedir que eles participem do
futuro Iraque.
"Colaboraremos com nossos irmãos
xiitas, curdos e turcomanos para encontrar uma fórmula que
garanta a segurança, a estabilidade, a independência,
a unidade e a prosperidade do Iraque", disse
al-Duleimi.
Campanha
O
líder aproveitou para denunciar que os sunitas eram vítimas
de uma campanha policial ordenada pelo novo governo. "As
operações em casas e bairros de sunitas e a detenção
de nossa gente é uma prática habitual. Tentam nos
isolar, mas ninguém vai nos separar do processo só
porque queremos um Iraque unido e a salvo da divisão",
disse.
O líder sunita insistiu em afirmar que sua
comunidade rejeita o federalismo, pois não deseja ver o
país ser separado por questões religiosas em duas
regiões: uma no centro e outra no sul do país.
Al-Duleimi
pediu a intervenção da ONU, da Liga Árabe e
das Organizações pró Direitos Humanos para
que freiem as aspirações de curdos e xiitas e ajudem
a libertar os milhares de sunitas que estão presos.
Hoje,
o porta-voz da ACM, Abdelsalam Al Qubaisi, acusou o presidente dos
Estados Unidos, George W. Bush, de pressionar e intimidar o
Iraque.
"Exigimos à administração
americana que tire suas mãos de um processo que resultará
infrutífero e permita que a questão iraquiana seja
levada às Nações Unidas, para evitar
ingerências de terceiros", disse al-Qubaisi, em
entrevista coletiva em Bagdá.
Com
agências internacionais
Publicado
no Diário
Vermelho
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