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*Kennedy:
conspiração em Hamburgo II
Redacción
23 de
xaneiro 2006
Por Gabriel Molina
UM
repentino silêncio tornou mais severo o ambiente do amplo
salão de altíssimo pé direito no Capitólio,
Washington, quando caminhando lentamente, entrou pela larga porta
aquele homem sessentão, de estatura média, camisa
branca, gravata de amplas listas diagonais e chapéu de aba
curta.
Santos
Traficante Jr., o padrinho da Cosa Nostra do sudoeste da Flórida,
tinha perdido muito da segurança e esbeltez de que se
orgulhava, vinte anos antes em Havana.
Lembro-me claramente
esta cena e a recrio agora, a pesar de que a maioria dos meios de
informação do mundo, praticamente desestimaram o
documentário da televisão pública alemã,
diante das evidências sobre o magnicídio obtidas numa
investigação séria como a do Comitê
Seleto do Congresso dos EUA. Vale a pena voltar ao tema, pois em
Miami insistem, como é natural, pois se trata de um elo de
uma cadeia de uma conspiração quase
cinquentenária.
Por que um diário sério
– pelo menos sua edição da internet –
como o mexicano La Jornada, dirigido por minha amiga Carmen
Lira, publica um artigo de Eva Usi, que retoma a conexão
cubano à maneira de Wilfried Hismann?
Com efeito, há
uma conexão cubana, minuciosamente investiga pelo Comitê
Seleto. Está de braços com a célebre Cosa
Nostra.
O Comitê Especial levou o conhecido chefe
mafioso a declarar numa sessão em Washington e este nunca
cumpriu uma condenação. O semblante de Santos
Traficante adusto, desgostoso porque suas conexões cubanas
o colocavam novamente em foco nesse outono de 1978. Mas esta vez
se tratava de algo ainda mais perigoso que quando se viu envolvido
na investigação do Comitê Church, em 1947 e
1975, ao sair à luz seu recrutamento pela CIA para atentar
contra a vida do líder cubano, Fidel Castro.
Agora
se tratava de esclarecer (15 anos de pois do assassinato do
presidente John F. Kennedy), os evidentes indícios de que
tenha existido uma conspiração em vez de um
assassino solitário, e a possível participação
dos membros da máfia ítalo-norte-americana.
Entre
as dezenas de jornalistas e investigadores que cobríamos as
Audiências, o comparecimento tinha causado grande
expectativa.
O antigo “czar do jogo e do
narcotráfico” em Havana, se tinha tornado ainda mais
famoso de regresso à Flórida, já que seu
império, longe de terminar com o fechamento em 1959 das
atividades da máfia em Cuba, se fortaleceu em Miami e se
ampliou na América Latina e no Caribe, durante os anos 60 e
70.
Na sessão anterior, a qual Trafficante não
quis assistir, seu antigo associado, o milionário José
Alemán Jr., filho de um ex-ministro de Educação
de Cuba, famoso pela hábil maneira de subtrair fundos do
erário público, declarou que seu amigo Trafficante,
numa conversa particular em setembro de 1962, lhe tinha confiado
que o presidente Kennedy ia ser assassinado e que ele lembrou um
ano depois, quando ocorreu o magnicídio. Alemán
confirmou suas primeiras declarações, mas mudou os
termos. Nesta nova versão, disse que o Padrinho lhe teria
dito “Kennedy ia ser golpeado” e poderia talvez,
querido dizer que “ia ser atacado por uma quantidade de
votos republicanos” nas eleições de 1964, não
que “que ia ser assassinado”.
Diante da
insistência dos congressistas, Alemán disse que temia
por sua vida e que por isso tinha pedido proteção
para declarar no Comitê. Efetivamente, dois homens da
polícia federal, sentados atrás dele, de frente para
a audiência, percorria o local com olhos alertas.
Um
pouco acossado pelos interrogatórios, muito excitado,
Alemán levantou o voz para dizer: Eu informei isto às
autoridades. Falei com membros do FBI e lhes disse que algo
irregular estava ocorrendo com o presidente Kennedy. Eu informava
tudo o que acontecia então, ao FBI. Depois, me disseram que
não me preocupasse, que Oswald era um assassino
solitário.
SANTOS
ADMITE QUE TRABALHOU COM A CIA
O interrogatório
de Santos Trafficante Jr. Começou pelo tema de sua
participação nas tentativas de assassinato do líder
da Revolução Cubana, Fidel Castro. Admitiu que foi
recrutado pela CIA para esse complô.
Ao começar
a audiência, o dom da Flórida disse que
apelaria para a Quinta Emenda da Constituição para
não prestar declaração. O congressista
Richardson Preyer, que presidiu a sessão para que Louis
Stokes levasse o peso das perguntas, manifestou que se lhe
concedia a imunidade sobre os possíveis delitos cometidos
neste assunto, que o obrigava a testemunhar.
Trafficante
afirmou que se tinha dedicado ao negócio do jogo, mas que
agora estava aposentado. Disse que viveu em Havana até
1959, quando os cassinos eram legais em Cuba. Admitiu que só
possuía três: Sans Souci, Comodoro e Deauville. A uma
pregunta de Stokes declarou que até 1958, entregavam ao
governo do ditador Batista 50% das rendas das máquinas
traga-níqueis e de outros jogos.
O Padrinho
acrescentou que no acampamento de Tiscornia em Havana, onde foi
internado em 1959, estiveram outros amigos dele como Giuseppe di
Giorgi e Jack Lansky, irmão de Meyer. Não quis
precisar quanto dinheiro significavam seus investimentos em Cuba.
Mas Stokes disse que Ricardo Escartín, do Escritório
de Interesses de Cuba em Washington, forneceu ao Comitê a
informação somente o Havana Riviera produzia US$ 25
milhões anuais. Trafficante replicou que não tinha
negócios no Riviera. De fato, ele não aparecia como
dono, mas o manejava com Meyer Lansky, que aparecia no quadro de
trabalhadores como “auxiliar de cozinha”.
A
respeito das tentativas de assassinato de Fidel Castro,
Trafficante agregou que o primeiro em fazer contato com ele, por
encargo da Cia, foi John Roselli, chefão influente no mundo
do espetáculo e, mais tarde, Sam Giancana, dom de
Chicago. Nos momentos em que prestava declaração no
Comitê da Câmara, Trafficante, que naquele momento,
era o único sobrevivente dos três chefes mafiosos
recrutados pela CIA para o assassinato do presidente de Cuba,
faleceu anos depois de morte natural.
Roselli tinha
continuado enredando-se com a justiça e alegando sua
colaboração com a CIA para não ser
encarcerado.
Giancana, de sua parte, foi condenado a prisão
em 1964. Contudo, menos de dois anos depois, na apelação
do caso, veio de Washington uma mensagem enviado pelo próprio
secretário de Justiça, Katzenbach, de que devia ser
libertado, sem mais explicação. Ao sair da prisão,
o dom de Chicago foi para o México, cumprindo talvez
o acordo através do qual se libertou. Ali permaneceu até
julho de 1974. Em 1975, Giancana tinha feito sua primeira
declaração no Comitê Church e se preparava
para outros comparecimentos, desta vez no Comitê Especial do
Congresso que investigava o magnicídio de Kennedy. Mas, não
pôde. Foi encontrado num charco de sangue em sua residência
de Oak Park Illinois, com um tiro na boca e cinco no pescoço.
Meses depois o cadáver de Roselli apareceu dentro de um
barril no rio. Trafficante negou ter dito que iam “golpear”
Kennedy e que houvesse estado envolvido no assassinato do
presidente.
Quando o chefão de sobrenome autocrítico
saiu da sala acompanhado de seu jovem advogado, nós,os
jornalistas fomos atrás dele. Mas seu advogado se
encarregou de afastar-nos. Não disse nada mais. As sessões
continuavam.
Com suas investigações, o Comitê
chegou à conclusão de que Jack Ruby – autor da
morte de Oswald – tinha efetivamente vinculação
com o crime organizado e com Trafficante, a pesar de sua
negativa..
A conclusão provém, entre outras
provas, das chamadas telefônicas realizadas por Ruby em
1963, que foram de entre 25 e 35, em maio, até 96 nos
primeiros 24 dias de novembro. A maioria foi feita para membros da
máfia e a seus associados.
OS
CONTATOS DE RUBY COM A MÁFIA
Entre junho e
setembro de 1963, Ruby ligou sete vezes para Lewis J. McWillie,
íntimo associado de Traficante e Meyer Lansky, e em 1959 o
visitouvárias vezes em Havana. McWillie operava o casino de
jogo do cabaré tropicana. As autoridades revolucionárias
de Cuba entregaram os bilhetes de imigração onde
estavam registradas as entradas e saídas do assassino de
Oswald. Ruby também ligava para Irwin S. Wwiner enlace
entre n“a máfia de Chicago, a N. J. Pecora, segundo
de Marcello em Nova Orleães e para vários corruptos
dirigentes sindicais”. O Comitê também possuia
evidências de que Ruby dirigia cabarés em Dallas, e
atuava como testa-de-ferro da máfia de Chicago.
Ruby
também manteve contatos freqüentes com Lenny Patrick,
da máfia de Chicago e principal lugar-tenente de
Giancana.
Também Ruby se vinculou com David Yaras,
executor da máfia que admitiu tê-lo conhecido em
1964, e com David Ferrie, de origem cubana, piloto de Marcello,
que pela sua vez via em Nova Orleães a Lee Oswald. Segundo
os achados do Comitê, Ferrie, que era contratado pela CIA,
relacionava-se também com Oswald no Escuadrão Falcon
da Patrulha Civil Aérea e num famoso escritório de
Nova Orleães, p 544 Camp Street, onde também
trabalhavam mebros dos grupos que atuvam contra a Revolução
Cubana. Como Guy Banister. Lá mesmo Oswald tinha seu
escritório inscrito enganosamente como de Fair Play (Jogo
Limpo) com Cuba.
Ferrie estava em Dallas no dia em que
mataram Kennedy e esteve preso sob investigação a
respeito do assassinato.
Em 1959, junto ao desertor do
exército cubano, Pedro Luis Díaz Lanz, Ferrie
participou do primeiro bombardeamento dos Estados Unidos contra
Havana, pilotando ambos um B25, numa operação
preparada por Eladio del Valle, homem de confiança de
Traficante, como Herminio Díaz. Yaras, Ferris e del Valle
foram misteriosamente assassinados pouco depois do magnicídio.
O
capitão Jack Revill, da policia de Dallas, em seu
depoimento perante o Comitê disse que Ruby tinha contatos
com os mafiosos, porém não estava comprometido como
membro.
Depois de estabelecida nas audiências a falta
de cuidado da policia de Dallas, que chegou até anunciar
publicamente o translado de Oswald e deixar passar Jack Ruby ,
cujos contatos com os mafiosos eram conhecidos, perguntaram a Jack
Revill que se alguns policiais envolvidos no escandaloso fato
tinham sido castigados ou criticados. — Que eu saiba, não
— respondeu Revill ao congressista Edgar, o que provocou um
profundo e eloquente silêncio.
A
CONEXÃO BUSH
Os jornalistas Lázaro
Barredo e Raíl Taladrid lembraram há uns dias no
jornal Granma a conexão de George Bush pai com os
pandilheiros cubanos chefãos de Miami, começando por
Félix Rodríguez, que nesse momento dirigia ao então
fugitivo do cárcere venezuelano Luis Posada Carriles, a
troca de droga por armas para os contra nicaragüenses. Também
Jeb Bush, irmão do atual presidente George Bush II e atual
governador da Flórida, foi parte essencial no asseguramento
da saída da prisão de cubanos convictos por crimes
terroristas, segundo o livro Cuba Confidencial: Amor y Venganza
en La Habana y Miami, escrito pela jornalista Louise Bardach,
ganhadora de prêmios em jornalismo investigador, que se tem
destacado por seus trabalhos sobre Cuba e Miami, por encargo do
New York Times e Vanity Fair. Repercutiu notavelmente a
entrevista que fez a Luis Posada Carriles para o NYT.
“A
familia Bush fez suas as exigências dos exilados cubanos
extremistas em troca de aopio financeiro e eleitoral”,
segundo a resenha do livro publicada em The Guardian
Em
1984 Jeb Bush, nessa altura chefe do Partido Republicano no
condado da Flórida, começou uma estreita associação
com Camilo Padreda, ex-oficial da inteligência da ditadura
batistiana, chefe financeiro de dito partido, acusado por
malversar US$ 500 mil junto com Hernández Cartaya, outra
personagem de origem cubana, mas as denúncias não
foram levadas em consideração depois que a CIA
declarou que Cartaya tinha trabalhado para eles. Depois Cartaya se
declarou culpável pela defraudação de milhões
de dólares ao departamento de desenvolvimento da vivenda e
do urbanismo.
O irmão mais jovem do presidente,
também nos anos 80, fazia parte do grupo do proeminente
corrupto cubano Miguel Recarey, que ajudou a CIA em suas
tentativas de assassinar o presidente Fidel Castro. Recarey,
administrador dos International Medical Centres, utilizou Jeb Bush
como assessor em bens reais pagandolhe US$ 75 mil. O futuro
governador da Flórida realizaou um vigoroso e exitoso lobby
a favor de Recarey e seu negócio nos governos de Reagan e
Bush I.
Recarey foi acusado por uma famosa e maciça
fraude ao Medicare, porém fugiu dos Estados Unidos
antes do julgamento.
Jeb Bush também foi
administrador da campanha política de Ileana Ros-Lehtinen,
quando ela conseguiu sua cadeira no congresso, ajudada pelas
ameaças de seu esposoo Procurador Lehtinan, de julgar seu
perigoso contrário, Raúl Martínez. Ela
participou da operação perante a expresidenta
panamenha Mireya Moscoso para obter a libertação da
pandilha terrorista de Posada Carriles, cujos membros vivem
livremente em Miami e ajudam seu chefe. O jornalista Jim DeFede
crticou-a por defender Posada e custou-lhe sua saída do
Miami Herald há uns meses.
Não devemos
esquecer que George Bush I tomou parte na saída da prisão
do terrorista cubano Orlando Bosch. Como presidente, concedeu a
residência nos Estados Unidos em oposição ao
Departamento da Justiça de sua prórpia
administração, que o caraterizou como terrorista
perigoso. Entre seus crimes está o de ser autor
intelectual, junto a Posada, do cruel atentado contra o avião
de Cubana que em 1976 viajava a Havana vindo da Venezuela, onde
morreram 73 pessoas. Bosch agora mora em Miami e não se
arrepende de suas atividades, expressa Bardach.
Outros
terroristas cubanos como José Dionisio Suárez e
Virgilio Paz Romero, que em 1976 assassinaram o diplomata chileno
Orlando Letelier, em Washington, também foram libertados
pelos Bush.
O governo de George Bush II anunciou que em
maio, a pesar de todos os escândalos financeiros e delitivos
que ameaçam a estabilidade de seu governo ou talvez por
causa deles, iniciará novas ações para
aniquilar a Revolução Cubana mesmo como lhe exigem
seus aliados de Miami.
O documentário da
televisão alemã, que cincidiu por acaso com a visita
a Washington da primeira-ministra Angela Merkel, faz parte desse
conjuro. Na tática, uma medida que visa distrair a opinião
pública do plano para libertar Posada, da mesma maneira que
Posada falaria sobre o trabalho sujo realizado pela Conexão
Cubana e provocaria um dano severo ao governo se não o
libertassem.
Com respeito à estrategia faz parte da
preparação artilheira para conseguir o grande
objetivo denominado eufemísticamente “transição
em Cuba” leiasse recolonização de
Cuba.
Fonte:
Granma
Internacional.
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