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*Eleições
em Portugal: Jerónimo de Sousa considera eleição
de Cavaco na primeira volta um facto negativo
Redacción
23 de xaneiro 2006
Jerónimo
de Sousa, secretário-geral do PCP
e
candidato apoiado pelo partido às presidenciais, considerou
esta noite que a eleição de Cavaco Silva logo na
primeira volta das eleições presidenciais realizadas
hoje é um facto negativo.
Jerónimo de Sousa
atribuiu a vitória de Cavaco Silva à primeira volta
nas presidenciais às "hesitações,
ambiguidades e falta de empenhamento" do PS na campanha
eleitoral.
"As
hesitações e ambiguidades que marcaram a posição
do PS e a sua notória falta de empenhamento na campanha
beneficiaram a vitória de Cavaco Silva", afirmou
Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP e
candidato apoiado pelo partido às presidenciais.
O
secretário-geral comunista considerou também que a
candidatura de Cavaco Silva - apoiada pelo PSD e CDS-PP -
beneficiou igualmente da "simpatia indisfarçável
de muitos grupos de comunicação social".
Apesar
da vitória de Cavaco Silva à primeira volta,
Jerónimo de Sousa disse ainda que o resultado foi
conseguido com uma margem curta de votos, "bem distante das
coroações antecipadas" vaticinadas por alguns
comentadores.
Declaração
de Jerónimo de Sousa, sobre as Eleições
Presidênciais 2006, 22 de Janeiro de 2006:
1.
As eleições Presidenciais que hoje ocorreram ficam
marcadas por dois elementos: a eleição de Cavaco
Silva e uma grande votação obtida pela minha
candidatura que, independentemente do desfecho final, constitui um
estímulo para a afirmação do projecto que a
norteou e uma garantia de que prosseguirá com confiança
e determinação o combate por um Portugal com futuro.
2. A eleição de Cavaco Silva à
primeira volta marca negativamente o resultado da presente eleição
para a Presidência da República. Há entretanto
que notar o facto de este resultado se ter verificado por uma
pequena margem de votos bem distante das coroações
antecipadas que alguns lhe vaticinavam. Um resultado que revela
(como repetidamente afirmámos) pela escassa margem
verificada, ter estado ao alcance dos que a ele se opunham
impor-lhe a derrota que o seu projecto exigia, se tivesse existido
em outras forças políticas, o empenhamento com que a
minha candidatura travou esta batalha.
3. Suportada numa
campanha ao serviço da qual se concentraram os mais
poderosos meios económicos, beneficiando de apoios e
simpatias indisfarçáveis dos principais grupos de
comunicação social e projectada para branquear o
passado do candidato e esconder os seus projectos e ambições
para o futuro, a direita logrou, trinta anos volvidos sobre o 25
de Abril, apoderar-se deste órgão de soberania.
Num
quadro em que sem hesitações e com determinação
a minha candidatura alertou para os riscos e consequências
da vitória do candidato da direita e, com clareza, ergueu o
objectivo de o impedir, não é possível deixar
de chamar a atenção para o conjunto de factores que
favoreceram a eleição de Cavaco Silva.
Na
verdade Cavaco Silva beneficiou (para além dos poderosos
meios e facilidades) das hesitações, atitudes e
posicionamentos do PS, e do seu Governo, que desde a primeira hora
contribuíram para ampliar as possibilidades eleitorais de
Cavaco Silva. As hesitações e ambiguidades que
marcaram desde sempre a posição do PS, a notória
falta de empenhamento posta na campanha associada ao baixar de
braços e à resignação patenteada pela
direcção do PS perante as exigências deste
combate político jogaram a favor do desfecho final destas
eleições.
Ao que se associou ainda, e não
com menor peso, o aumento do descontentamento social que o
prosseguimento da política de direita do Governo de
Sócrates e a multiplicação de decisões
anti-populares (algumas das quais tomadas durante o período
eleitoral) legitimamente gerou e do qual Cavaco Silva soube,
hipocritamente, reverter a seu favor.
4. Ao contrário
do que alguns, para iludir as suas responsabilidades, sustentam,
uma das vantagens de que Cavaco beneficiou residiu, não na
existência de mais do que um candidato à sua
esquerda, mas sim, nas divisões, desmobilização
e rendição antecipada que o PS protagonizou, bem
patente na simples leitura dos resultados eleitorais.
5.
Com a vitória de Cavaco Silva não foi o país
que ganhou em estabilidade mas sim a política de direita e
as condições para ser prosseguida. Com a vitória
de Cavaco Silva é, não Abril e a Constituição
que saiem defendidos e reforçados, mas sim, a aspiração
à liquidação de direitos e ao apagamento de
importantes conquistas de Abril que os sectores mais reaccionários
do capital nacional há muito formulam.
Como
repetidamente prevenimos a eleição de Cavaco Silva
introduz factores negativos no actual quadro político e
social, não deixará de animar os sectores mais
reaccionários e revanchistas da direita e do grande capital
e o seu desejo de voragem dos recursos e da riqueza nacional,
torna mais exigente e complexa a luta por uma ruptura democrática
e de esquerda com a política de direita.
6. O
resultado obtido pela minha candidatura — mais de 8,5%,
muito acima das últimas eleições
presidenciais, representa um importante avanço se comparado
com o resultado obtido pela CDU nas Legislativas de 2005,
aproximando-se do meio milhão de votos e traduzindo-se em
significativas vitórias de que são exemplo o
Distrito de Beja e numerosos concelhos — constitui, apesar e
sem prejuízo do desfecho negativo que a eleição
de Cavaco traduz, um importante sucesso eleitoral e um factor de
ânimo para os que não se conformam com a política
de direita e acreditam que não só é
necessário como é possível uma alternativa e
uma política de esquerda que reponha a esperança num
Portugal melhor e com futuro.
Este resultado, confirmando a
corrente de apoio que acompanhou esta candidatura, é
sobretudo um sinal de confiança de muitos milhares de
portugueses e portuguesas que não se resignando perante as
injustiças e as desigualdades acreditam que é
possível um novo rumo para o país. A todos eles, aos
trabalhadores e ao povo português, quero aqui reafirmar a
inabalável determinação de honrar o apoio
recebido e de prosseguir o trabalho e a luta em defesa dos
direitos e conquistas sociais, pela melhoria das condições
de vida, por uma viragem democrática e de esquerda na vida
política nacional.
7. A minha candidatura em redor
da qual se criou e ampliou uma larga corrente de apoio
confirmou-se ao longo desta campanha como uma referência de
esperança num Portugal com futuro.
Uma candidatura
que mais do que expressão de um só homem é
construção colectiva de milhares de homens e
mulheres, jovens e menos jovens, unidos pela força dos
valores que defendem e pela enorme confiança no futuro do
país que é seu.
Ultrapassando as fronteiras
das forças políticas que lhe deram suporte e apoio
(o PCP, o PEV e a ID), esta candidatura — em torno da qual
se reuniram, no apoio e no incentivo à sua intervenção,
milhares de homens e mulheres sem partido ou com outras opções
políticas — constituiu uma expressão de
confiança e de determinação numa vida melhor
que perdurará para além deste dia e destas eleições.
8. Daqui, quero saudar todos quantos – comunistas,
verdes, independentes, apoiantes doutras forças – com
a sua acção, o seu apoio, a sua palavra de simpatia
ou incentivo deram força a esta candidatura e aos valores
de Abril que comporta; todos quantos reconheceram nesta
candidatura uma clara opção pelo lado dos
trabalhadores, dos pequenos e médios empresários,
dos reformados, dos mais injustiçados; todos quantos com o
seu apoio e o seu voto elevaram mais alto a exigência de uma
ruptura democrática e de esquerda com as políticas
de direita que tantas dificuldades têm lançado sobre
o povo e o país.
A todos eles, aos trabalhadores e
ao povo português quero reafirmar que o seu apoio e os seus
votos encontrarão em mim e no projecto colectivo pelo qual
luto – hoje, amanhã e sempre – uma presença
activa na defesa dos seus direitos e das suas aspirações
a uma vida melhor.
Fonte:
PublicoPT
e
web do PCP.
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