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Chávez e Kirchner fortalecem integração energética em encontro


Redacción 22 de novembro 2005 O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e da Argentina, Néstor Kirchner, firmaram ontem (21/11), entre diversos acordos, dois importantes para alavancar a integração energética da região: a criação de uma joint-venture que produzirá 5 milhões de barris de gás por ano, e a assinatura de um memorando de entendimento para adiantar a construção de um gasoduto entre os dois países, com base na concepção da Petrosul, a proposta venezuelana de integração energética da América do Sul.

A Venezuela se comprometeu ainda em realizar novos investimentos em papéis da dívida argentina, de acordo com a declaração firmada por Chávez e Kirckner após a reunião. O documento não esclareceu, no entanto, a quantidade que será adquirida nem quando ocorrerá. O governo de Chávez comprou neste ano títulos argentinos no valor de US$ 950 milhões, segundo dados oficiais.

Em entrevista ao canal estatal de televisão VTV, o chanceler venezuelano Alí Rodríguez avaliou que os acordos bilaterais avançaram bastante. Para ele, o encontro representa "um novo impulso ao que já é um exitoso processo de integração entre Argentina e Venezuela, sustentado pela complementação econômica, cooperação, solidariedade e respeito à soberania".

A joint-venture de produção de gás industrial e automotor será constituída pelas companhias estatais Energia Argentina S.A (Enarsa) e Petróleos de Venezuela SA (PDVSA). Os cinco milhões de barris do produto serão destinados ao mercado argentino. Os governos de Chávez e Kirchner assinaram ainda um convênio para o desenvolvimento de atividades conjuntas no setor de hidrocarbonetos e outro para a reabilitação da represa venezuelana de Macagua, que representam um total de US$ 203 milhões.

Também foram fechados acordos para o desenvolvimento de projetos técnicos em robótica físico-médica - para a transferência tecnológica em agricultura - e outro para a consolidação, em 2006, da emissora de televisão Telesul. A rede, que tem como objetivo ser uma alternativa à hegemonia das grandes corporações de comunicação multinacionais, tem como sócios a Venezuela, com 51% do capital, a Argentina com 20%, Cuba com 19%, e o Uruguai com 10%, e iniciou suas transmissões em 31 de outubro.

Documento

A declaração assinada pelos presidentes incluiu o compromisso de "acelerar o processo de incorporação da Venezuela como membro pleno do Mercosul", união aduaneira integrada por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. "Nesse mesmo sentido, considera-se a necessidade de se criar um Fundo Financeiro Latino-americano que garanta a autonomia de nossos países para escolher as vias mais convenientes em seus processos de desenvolvimento econômico e social", acrescentou o documento.

Prevê-se que a Venezuela seja incorporada como membro do Mercosul durante a reunião de cúpula do bloco, que terá início no dia 6 de dezembro em Montevidéu. Na declaração, Chávez e Kirchner ressaltaram o "clima de estreita irmandade, entendimento e os mais proveitosos resultados" da reunião, assim como o avanço "vigoroso" das relações bilaterais.

De acordo com a agenda oficial, o presidente da Argentina retorna a seu país hoje. Os presidentes Néstor Kirchner e Hugo Chávez, trabalharam ontem para fortalecer os acordos energéticos e comerciais bilaterais com o objetivo de assegurar o processo de integração que ambos presidentes promovem. O encontro aconteceu no Estado de Bolívar, quinze dias depois da conclusão da cúpula na Argentina depois que ambos tiveram rusgas com seu colega mexicano, Vicente Fox, pelo tema do livre comércio. O fato levou México e Venezuela a retirar seus embaixadores na semana passada.


Com agências internacionais
Publicado no
Diário Vermelho.


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