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Chávez anuncia criação de Escola Latino-americana de Medicina


Redacción, 22 de agosto 2005 O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou em Havana que criará uma Escola Latino-americana de Medicina em seu país, similar à existente em Cuba, que realizou neste sábado (20/8) a primeira graduação de 1.610 médicos, de 28 países.
O anfitrião Fidel Castro comparou o programa de formação de médicos realizado em Cuba com os gastos em armamento dos Estados Unidos. "A ciência tem que estar unida sempre em busca da vida, não da morte", disse Castro.

A cerimônia de ontem serviu também para simbolizar o restabelecimento das relações diplomáticas de Cuba com o Panamá. O presidente panamenho, Martín Torrijos, compareceu ao evento. Estiveram presentes também o vice-presidente do Equador, Alejandro Serrano, os primeiros-ministros de países caribenhos como Santa Lucía, São Cristóvão e Névis, Granada, São Vicente e Grandinas e Antígua e Barbuda, além de ministros de vários países.

"A Venezuela se compromete a começar desde hoje, e no menor tempo possível, a instalar, criar e inaugurar outra Escola Latino-americana de Medicina e contamos com os senhores", afirmou Chávez em um breve discurso na cerimônia.

Hugo Chávez disse que Venezuela e Cuba "se transformaram em uma grande universidade" e, segundo seus cálculos e os de Fidel Castro, nos próximos 10 anos, em Cuba e na Venezuela "vamos formar cerca de 100.000 médicos para a América Latina e o Caribe".

Ele acrescentou que, "aumentando o ritmo, exigindo-nos mais e convidando outros países, poderíamos dobrar essa cifra de médicos formados nos próximos 10 anos".

Chávez declarou que a Escola Latino-americana de Havana surgiu graças "ao gênio criador" de Fidel Castro.

Instituição solidária

A instituição é um projeto do presidente Fidel Castro para a região, que nasceu em 1998. A sede fica em Havana.

O projeto é um curso de medicina gratuito para que jovens carentes em seus países possam se formar e ajudar a comunidade onde vivem.

"O importante a destacar nessa faculdade é o exemplo do que se deve e pode fazer para ser um médico com princípios éticos e humanitários", disse Castro, em um discurso sobre a faculdade pronunciado em 2002.

Os jovens estudam a primeira parte do curso nas salas de aula e a última, nas 21 faculdades de medicina da nação caribenha.

Entre os mais de 9.600 matriculados na Elam, a maioria é de 19 países latino-americanos e de quatro nações africanas. Há 65 estudantes dos Estados Unidos. Outros 15 chegaram recentemente à Cuba com o líder religioso Luicius Walker, da organização "Pastores pela Paz".

Os novos médicos, que iniciaram o curso no ano de 1999, procedem de 28 países. Fidelina Virtudes de la Rosa, mãe de um dos formandos falou em nome das mais de 10.000 famílias dos estudantes para agradecer a Cuba "por sua solidariedade, desprendimento e amor à humanidade" ao impulsionar este projeto de formação de médicos para a região.

O reitor da Elam, Juan Carrizo Estévez, explicou que 71,9% dos formandos procedem de setores operários, camponeses e de zonas afastadas de seus países, com uma idade média de 25 anos.

Fidel: Capitalismo mata mais que bomba atômica

Em seu discurso na cerimônia de formação, o presidente cubano Fidel Castro, fustigou o capitalismo definido por ele como um sistema que "mata" e assinalou que as sociedades de consumo estão fazendo mais vítimas do que as bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki.

No discurso de uma hora e 15 minutos, Castro comparou o programa de formação de médicos realizado em Cuba com os gastos em armamento dos Estados Unidos. "A ciência tem que estar unida sempre em busca da vida, não da morte", disse Castro, acrescentando que "não podem receber o adjetivo de humanistas aqueles que fabricam armas químicas e biológicas".

Na cerimônia de graduação no teatro Karl Marx de Havana, Castro, vestido com um terno escuro, referiu-se às acusações de "desestabilizar" a região feitas por Washington contra ele e Chávez.

Nesse sentido, caçoou com os estudantes graduados: "vocês, pelo visto, são uns 'superdesestabilizadores' do hemisfério, porque estão desestabilizando a dor e o sofrimento".

Também se referiu ao propósito conjunto anunciado por Chávez de formar 100 mil médicos latino-americanos e caribenhos em 10 anos, e assegurou que "a solidariedade é a única arma que pode pretender salvar esta sofrida espécie" humana.

Fonte: Terra e Granma

Publicado no Diário Vermelho



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