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*Evo
Morales anuncia: Novo governo boliviano terá
ministros-trabalhadores
Redacción
21 de
decembro 2005 O próximo
governo boliviano vai ter ministros-trabalhadores, declarou o
presidente eleito, Evo Morales Ayma, confirmando para hoje uma
assembléia popular que vai debater o tema. Conforme o
último resultado parcial oficial da apuração,
com mais da metade dos votos apurados (55,9%), os eleitores de Evo
somavam 50,8% dos 3,6 milhões de votantes deste domingo.
Seu concorrente, o ex-presidente conservador Jorge Quiroga, da
coligação "Podemos", que figurava com
31,5% de los votos, já reconheceu Evo como o próximo
presidente.
O próximo
governo boliviano vai ter ministros-trabalhadores, declarou o
presidente eleito, Evo Morales Ayma, confirmando para hoje (21)
uma assembléia popular que vai debater o tema. Evo, como é
chamado pelo povo boliviano, falou durante 55 minutos à
imprensa, na sede do MAS (Movimento Ao Socialismo) em La Paz.
Os
números da vitória
Conforme
resultado parcial oficial, divulgado na tarde desta terça-feira
(20) pela Corte Nacional Eleitoral, com mais da metade dos votos
apurados (55,9%), os eleitores de Evo somavam 50,8% dos 3,6
milhões de votantes deste domingo. Seu concorrente, o
ex-presidente conservador Jorge Quiroga, da coligação
"Podemos", que figurava com 31,5% de los votos, já
reconheceu Morales como o próximo presidente.
Em
terceiro lugar na parcial aparecia o multimilionário Samuel
Doria Medina, de centro, com 8,7% dos votos. E em quarto Michiaki
Nagatani, filho de imigrantes janponeses e candidato pelo MNR
(Movimento Nacionalista Revolucionário), também de
centro, com 5,9%.
Evo obteve cerca de um terço dos
votos inclusive em Santa Cruz, a rica província do Oriente
(na fronteira com o Brasil) onde organizações de
direita tentam fomentar um movimento separatista. Ali as previsões
apontam 43% para Quiroga e 32% para o ex-líder sindical
cocalero. Se o conservador chegou em primeiro lugar na província,
Evo praticamente triplicou sua votação em relação
a 2002, o que abala as chances do separatismo cruzenho.
MAS
passa a ser o maior partido
Ns
votação para o Parlamento, o MAS aparece como o
maior partido do novo cenário político boliviano.
Deve eleger 53 deputados, num total de 130, e 12 senadores, de um
total de 27, entre eles a única senadora eleita neste
domingo, Carmen Rosa Velásquez.
Os conservadores de
"Podemos" ficaram com 48 deputados e 13 senadores. A
Unidade Nacional (UN) de Doria Medina obteve 15 deputados e um
senador. O MNR, outrora o partido hegemônico na Bolívia,
reduziu-se a 11 deputados e um senador.
Já o
Movimento Indigenista Pachakutic (MIP), de Felipe Quispe, ficou
abaixo da cláusula de barreira de 2% e pela legislação
atual deve perder sua personalidade jurídica enquanto
partido.
O MAS contesta os resultados em alguns distritos
eleitorais, alegando que sua vitória foi ainda mais
expressiva. O próprio Evo reclamou a renúncia de
alguns dos membros da Corte Eleitoral, e disse que seu partido
ganhou "de goleada", inclusive "do árbitro".
O resultado final oficial deve ser anunciado até o
próximo dia 12. A data da posse será 22 de
janeiro.
A
assembléia popular
Ao
visitar a Federação de Cooperativistas Mineiros, o
líder de esquerda assinalou que um operário do setor
deve ser ministro da Mineração e um sindicalista
assumirá a pasta do Trabalho, e que cargos assim não
devem mais ser ocupados por empresários. Ele defendeu
também a presença em sua equipe de mulheres e
representantes de outros movimentos sociais.
A assembléia
popular de hoje foi convocada pelo MAS, por organizações
sociais pró-Evo e parlamentares eleitos, para definir os
parâmetros para a escolha dos ministros. Ela ocorrerá
na cidade de Cochabamba, no centro da Bolívia, não
para definir nomes, mas para definir os critérios de
escolha. No presidencialismo boliviano, a nomeação
dos ministros é atribuição do chefe de
Estado.
Reestatização
do petróleo e gás
Evo
Morales confirmou a decisão de recuperar a propriedade
estatal sobre os hicrocarbonetos (petróleo e gás) e
submeter as multinacionais a novas regras.
"Necessitamos
de sócios, mas não de patrões. Se eles se
subordinam às normas bolivianas, [são] bemvindos
como sócios, mas não podem ser os que controlam como
donos", afirmou Evo, abrindo para as empresas de fora a
perspectiva de prospectar e explorar zonas não
tradicionais.
Mas o presidente eleito divergiu do prazo de
90 dias dado por líderes populares radicais para a
efetivação da medida e o atendimento a outras reivin
dicações populares. "Vamos conversar com esses
dirigentes e respeitamos sua opiniao, mas recordamos que os
movimentos sociais com capacidade de convocação, ou
suas bases, estão com o MAS", argumentou.
"Talvez
seja impossível remediar em cinco anos tudo que o
neoliberalismo destroçou em mais de vinte anos",
comentou o líder de origem indígena aymará. O
MAS defende que as mudanças de fundo devem ficar a cargo de
uma Assembléia Constituinte, a ser eleita em
julhopróximo.
Fonte:
Diário
Vermelho
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