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*Irã
e Rússia iniciam negociações sobre programa
nuclear
Redacción
21 de febreiro 2006
As autoridades russas e iranianas iniciaram ontem (20/2)
negociações em Moscou sobre um plano de
enriquecimento de urânio para o Irã em território
russo. O plano tem a intenção de dissolver a crise
criada por EUA e União Européia em relação
à decisão de Teerã de retomar seu programa de
desenvolvimento de combustível nuclear. EUA
e UE alegam que o Irã procura desenvolver armas nucleares.
As negociações são lideradas por Ali Hosseini
Tash, vice-secretário do Conselho Supremo de Segurança
Nacional do Irã, e seu companheiro, Valentin Sobolev.
O
ministro das relações internacionais da Rússia,
Sergey Lavrov, disse que Moscou tem poucas expectativas em relação
as negociações, mas que esforços serão
feitos para evitar o aprofundamento da crise. A União
Européia, por sua vez, disse que "não deseja"
isolar o Irã e reiterou estar "em busca de uma solução
diplomática" para a questão.
Último
recurso
O
subsecretário do Conselho de Segurança do Irã,
Ali Hosseini Tash, chegou ontem a Moscou para fazer consultas
sobre a proposta do Kremlin de enriquecer o urânio iraniano
em solo russo. O ministro russo de Assuntos Exteriores, Serguei
Lavrov, quer "tirar este problema do atoleiro" antes da
reunião do Conselho de Governadores da Agência
Internacional de Energia Atômica (AIEA), que acontecerá
no próximo dia 6.
Lavrov disse que a Rússia
defende "o direito do Irã de dispor do ciclo completo
de combustível nuclear depois que forem solucionadas entre
os analistas da AIEA as dúvidas surgidas em relação
à finalidade do programa iraniano".
Direito
soberano
O
ministro do Exterior do Irã, Manucher Mottaki, disse ontem,
em Bruxelas, que o país não tem intenção
de renunciar a seu "direito soberano" de realizar
pesquisas nucleares em seu território e que não
existe conexão entre a moratória de enriquecimento
de urânio e as negociações sobre a oferta
russa.
Moscou propõe que os aspectos mais sensíveis
do ciclo de combustível nuclear iraniano, como o
enriquecimento de urânio, sejam realizados em seu território
em uma empresa mista e sob a supervisão da AIEA.
Posteriormente, o urânio enriquecido seria levado ao Irã
e utilizado no funcionamento dos reatores nucleares iranianos, que
Teerã constrói com a ajuda da Rússia.
"Desta
forma, o Irã não perderia sua autonomia na hora de
produzir combustível nuclear e a comunidade internacional
poderia ter certeza de que nenhum material nuclear iraniano seria
desviado para fins militares", disse o representante
russo.
No entanto, Teerã deseja que Moscou permita o
acesso de seus analistas ao processo de enriquecimento de urânio
e que parte do mesmo ocorra em território iraniano e
reivindica que a Rússia atraia um terceiro país a
este projeto conjunto, cujo objetivo é evitar as sanções
e as suspeitas de proliferação de armas nucleares.
Fonte:
Diário
Vermelho.
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