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*Fórum
Social Mundial estréia amanhã seu primeiro
"capítulo" africano
Redacción
18 de xaneiro 2006
A partir de amanhã, a
cidade oeste-africana de Bamako, capital do Mali, será
durante cinco dias a sede do Fórum Social Mundial (FSM). A
sexta edição do Fórum, este ano, adota um
formato "policêntrico", com eventos ou "capítulos"
sucessivos em três continentes. O de Bamako será o
primeiro, entre 19 e 23 de janeiro. Deve receber 30 mil
participantes, dos cinco continentes, mas sobretudo da África,
relativamente pouco representada nas edições
anteriores do evento que proclama que "um outro mundo é
possível".
Logo depois de Bamako, o Fórum
Social Mundial reúne-se em Caracas, na Venezuela. E mais
tarde em Carachi, principal metrópole do Paquistão.
A
seção mais concorrida do FSM-2006 deve ser a
venezuelana, entre 24 e 29 de janeiro: pode chegar a 120 mil
participantes e terá um forte empenho do movimento
revolucionário bolivariano, liderado pelo presidente Hugo
Chávez.
"Fórum
dos pobres" não teme dificuldades
Já
o evento em Carachi enfrenta dificuldades. Teve de ser adiado de
janeiro para uma data ainda por definir, devido às seqüelas
do terremoto de outubro último, que fez 54 mil vítimas
fatais no país. Além disso, o regime paquistanês
do general Pervez Musharraf não é propriamente um
entusiasta dos movimentos sociais e da contestação
antineoliberal: instalou-se em 1999 graças a um golpe
militar e desde 2001 permite a ocupação não
declarada do país por tropas dos EUA, a pretexto de
colaborar no combate às guerrilhas do vizinho Afeganistão.
As dificuldades, porém, não desestimulam os
protagonistas do "Fórum dos Pobres", que teve sua
primeira edição em 2001, em Porto Alegre, no Brasil,
como contraponto ao "Fórum dos Ricos", o Fórum
Econômico Mundial, que desde os anos 40 se reúne
anualmente em Davos, na Suíça, patrocinado pelas
maiores multinacionais do planeta. Em cinco anos, mesmo nadando
contra a corrente dominante neoliberal, o FSM tem sido um
crescente sucesso de público (o último, 12 meses
atrás, teve 200 mil participantes, de 6.872 organizações
de 151 países). Enquanto seu rival viu-se constrangido à
defensiva ideológica, recorrendo cada ano a uma ginástica
mais esforçada na tentativa de escapar da pecha de defensor
do grande capital globalizador.
Irrequieto como se espera
de quem pretende mudar o mundo, o FSM vem experimentando também
no seu formato. As três primeiras edições
foram em Porto Alegre, a quarta em Mumbai, na Índia, a
quinta de novo na capital gaúcha e agora ele experimenta
esta versão policêntrica, tricontinental. Em 2007,
será a vez de Nairobi, no Quênia.
Os prós
e contras de Bamako, Caracas e Carachi serão intensamente
debatidos, como de costume, em busca de novos caminhos de avanço.
Para o futuro, há que fale num retorno à fixação
em Porto Alegre, ou em novos modelos de itinerância.
A
África "se prepara febrilmente"
Conforme
anunciava ontem o diário senegalês Walfadjiri,
"a sociedade civil africana se prepara febrilmente para o
Fórum Social Mundial de Bamako". Entre vários
exemplos, o jornal cita a ONG África prostituição,
que "denunciará a miragem européia e seus
perigos para os jovens emigrantes: prostituição,
droga e violência".
Um tema que afeta populações
de vários países africanos é a pandemia da
Aids. Outro é a pressão pelo fim dos subsídios
dos países ricos aos seus produtos agrícolas, em
especial o algodão, fortemente subsidiado pelos EUA.
Os
alteromundialistas africanos qualificam de vitória a
realização pela primeira vez na África de um
Fórum Social Mundial. "Os países africanos são
os que têm mais problemas no mundo. É por eles que se
bate a sociedade civil mundial. Ao virem ao Mali, as pessoas
tocarão de perto nossas realidades e verão o combate
travado por nossas populações, na base, por nossas
ONG, nossos governantes, para sair da pobreza", diz
Jean-Marie Gyengané, coordenador de uma coalizão de
78 ONGs, citado pelo Walfadjiri.
O
"capítulo" de Bamako não é restrito
aos africanos. Hugo Chávez vem de confirmar sua presença.
Cerca de 50 parlamentares de diferentes partes da Europa também
ali estarão. Em contrapartida, muitos habitantes do
continente-sede encontrarão dificuldades de transporte: com
freqüência é mais fácil e mais barato
viajar para a Europa que para o vizinho Mali. Mas é
inevitável que a África ocupe o centro das atenções.
Uma TV por satélite, a Africable, retransmitirá os
debates.
O
ensinamento de Timbuctu
O
artigo do Walfadjiri
se
pergunta, talvez com uma ponta de ironia, se "a África,
berço da humanidade, irá dar à luz um mundo
novo". Mas registram que as organizações
senegalesas farão o seu fórum social nacional, em
março, assim como as de outros países do continente.
A edição 2007 do FSM, em Nairobi, poderá dar
uma boa medida do quanto esses esforços irão
frutificar.
O Mali, com 10 milhões da habitantes, é
um país de transição entre as duas partes do
continente – o Magreb, ao norte, que pertence ao mundo
árabe, e a áfrica ao sul do deserto do Saara, onde
se concentram as marcas da pobreza, das epidemias e das guerras
locais. Ex-colônia francesa, conquistou a independência
política em 1960.
Bamako, capital, tem 900 mil
habitantes e é cortada pelo rio Niger. Seiscentos
quilômetros rio acima, fica a lendária cidade de
Timbuctu, hoje decadente: na Idade Média foi um florescente
centro comercial e fundou sua universidade no século 14,
antes da de Coimbra, em Portugal – um exemplo, entre muitos,
de que as determinantes do desenvolvimento e do subdesenvolvimento
estão em permanente mutação, desmentindo os
tabus do determinismo racial ou geográfico.
Clique
aqui para mais informações, no sítio do FSM
em português: http://www.forumsocialmundial.org.br
Fonte:
Diário
Vermelho.
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