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*Colonos "linha-dura" põem em risco desocupação da faixa de Gaza



Redacción, 17 de agosto 2005 Ao fim desta segunda-feira (15), primeiro dia da operação de retirada de Israel, apenas duas das 21 colônias judias — Ganim e Kadim — tinham sido evacuadas, entre as 21 da faixa de Gaza e as quatro da Cisjordânia que o governo do primeiro Ariel Sharon comprometeu-se a desocupar.

E o mundo se dava conta de quem poderia por em perigo a consumação da iniciativa. Colonos judeus extremistas bloqueavam as entradas das colônias de "linha-dura", desafiando os soldados do exército israelense. Entre os soldados e mesmo comandantes deste, há unidades inteiras que ostentam as fitas laranja, cor-símbolo dos que se recusam a devolver Gaza aos palestinos.

Prazo acaba à zero hora de quarta


Ao longo do dia, os soldados procuraram percorrer as casas dos colonos, para advertí-los de que devem deixá-las até a zero hora de quarta-feira. Depois, serão desalojados pela força. Em algumas colônias, porém, os militares não puideram entrar, detidos por manifestantes anti-retirada.

Uma parte dos 8.500 colonos da faixa de Gaza prometiam resistir, com o reforço de milhares de extremistas vindos de Israel. Mas um número crescente de colonos começava a embalar os seus pertences, preparando a mudança. Centenas deles assinaram, até o domingo, acordos de compensação para serem indenizados pela retirada. Os recalcitrantes perderão um terço das indenizações do governo, que variam entre US$ 150 mil e 400 mil por família.

Intransigência fundamentalista

Centenas de colonos bloquearam os portões de Neve Dekalim, o maior assentamento da faixa de Gaza, para impedir o exército de entrar. Dezenas de judeus ortodoxos, envergando seus xales brancos de oração, faziam suas preces diante dos portões, pedidno a intervenção divina para deter a desocupação.

Uma multidão de jovens judeus, trajando laranja, permaneciam nas ruas e gritavam para os soldados: "Vocês são cúmplices de um crime", bradou um deles.

As tropas se dirigiram para uma segunda entrada de Neve Dekalim, apenas para serem detidas por outros manifestantes, que formavam uma corrente humana. Quando um pequeno contingente de soldados conseguiu entar, colonos tomaram os papéis notificando a evacuação e os queimaram. Um dos militares foi coberto de tinta verde pelos manifestantes.

A TV por satélite árabe Al Jazira informou ter ouvido que tropas israelenses chegaram a se confrontar com colonos que se recusavam a deixar seus assentamentos, na Cisjordânia - onde quatro colônias também estão sendo evacuadas. O conflito teria ocorrido em Shafi Shamron, ao longo do caminho para a colônia de Homish.

Mas apesar da resistência dos colonos, há sinais de que eles devem se retirar antes do prazo fatal - meia-noite de terça-feira.

A retirada ocorre após de confronto político e protestos de massas. A complexa operação teve início à meia-noite de domingo, quando os soldados retiraram fecharam o posto de controle no cruzamento de Kissufim. O fechamento da barreira, com a luz mudando de verde para vermelho, assinalou que a permanência de israelenses na faixa de Gaza tornara-se ilegal.

Começava o primeiro movimento israelense de desocupação de um dos territórios palestinos ocupados desde a guerra de 1967. A operação pretende se concluir até outubro, quando está previsto que os últimos soldados israelenses deixarão a faixa de Gaza.

Movimentos da polícia palestina

Milhares de policiais palestinos deslocaram-se para posições nas proximidades das colônias, para manter manifestações palestinas a distância e prevenir possíveis ataques durante a desocupação — uma hipótese que Israel prometeu retaliar pesadamente.

Os moradores palestinos observavam os preparativo dos judeus para deixar Gaza. A imagem dos caminhões de mudança venceu o ceticismo que muitos deles mantiveram até o último minuto.

"Eles estão realmente indo embora. Quem havia de pensar?", admirava-se o agricultor palestino Ziyad Satari, de 40 anos, do telhado de sua casa de três andares, na cidade palestina de Khan Yunus, no sul da faixa de Gaza. De seu posto, ele via a colônia judia de Morag.

Na cidade de Gaza, domingo, centenas de apoiadores da organização de resistência Jihad celebravam a retirada. O Hamas organizou orações especiais de agradecimento, à meia-noite, nas mesquitas de Gaza.

Garantias de Abbas

O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmud Abbas, ofereceu garantias aos israelenses. "Dizemos ao povo israelense, 'Vocês escolheram o plano acertado'", disse ele para o Canal 10 de TV. "Não dêem ouvidos às vozes dos extremistas que querem a continuidade da ocupação. Eu não quero, e não vou aceitar, nenhum choque com o exército ou os colonos", agregou.

Segundo a Al Jazira, muitos palestinos esperam que a retirada da faixa de Gaza seja o início de uma verdadeira partilha da Palestina histórica em um estado árabe e outro judeu. Mas outros temem uma manobra de Sharon, abrindo mão de Gaza e das áreas da Cisjordânia que considera não essenciais, para manter as Eareas da Cisjordânia onde se concentra a maioria dos 240 mil colonos.

Sharon: promessas e ameaças

O primeiro ministro Ariel Sharon dirigiu-se aos israelenses pela TV, dizendo que a retirada da faixa de Gaza é "essencial" e que qualquer ataque palestino depois dela receberá "a mais dura resposta de sempre".

"Este gesto (a retirada) é essencial para Israel. Acreditem-me, a dor que sinto com ele é a plena realização de que precisamos realizá-lo", disse Sharon. "Não podíamos manter Gaza para sempre, mais de um milhão de palestinos moram ali, amontoados em campos de refugiados, na pobreza, sem esperança no horizonte", argumentou.

Mas o primeiro ministro também disse no mesmo pronunciamento que caberia agora aos palestinos sujeitar os seus combatentes e parar com a violência. E prometeu "a mais dura resposta de sempre" no caso de algum ataque palestino após a retirada. "Responderemos a uma mão estendida com um ramo de oliveira, mas responderemos ao fogo com fogo, mais intenso do que nunca antes", disse Sharon.

Durante a maior parte de sua longa carreira política, Sharon defendeu a expans~]ao das colônias judias na Cisjordânia e em Gaza. Há apenas dois anos atrás, ele dizia que israel não devia ceder nem sequer os assentamentos menores e mais isolados na faixa de Gaza. "Mas as mudanças na realidade da naação, da região e do mundo levaram-me a mudar de idéia e de posição", disse ele na segunda-feira.

Com informações da Al Jazira


Publicado no Diário Vermelho
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