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*Milhares de estudantes franceses saem às ruas em protesto contra o CPE


Redacción 17 de marzo 2006 Dezenas de milhares de estudantes foram às ruas ontem (16/3) , na França, para deixar claro que não voltarão atrás em sua luta contra o Contrato de Primeiro Emprego, o chamado CPE, em uma luta contra o governo de direita, que dificilmente renunciará a sua posição.

Entre 270.000, segundo a polícia, e 500.000 estudantes, segundo os organizadores, fizeram manifestações ontem em toda a França contra o CPE, destinado a menores de 26 anos e que permite ao empregador despedir o jovem durante os dois primeiros anos de experiência, sem honrar compromissos trabalhistas.

As marchas mais importantes aconteceram em Paris, Bordeaux, Marselha, Lille e Lyon. Tanto os estudantes como os sindicatos interpretaram a mobilização de hoje como um "ensaio geral" das manifestações interprofissionais convocadas para o próximo sábado, onde os representantes dos trabalhadores pretendem passar a "uma velocidade superior", inclusive com a convocação de greves.

Apesar da pressão nas ruas, o primeiro-ministro, Dominique de Villepin, garante que defenderá o CPE "até o final". A maioria governista de direita e seus ministros, que não esconderam há alguns dias certas reservas, agora são obrigados a "remarem juntos", nas palavras de um deputado, pois sabem que uma eventual marcha à ré neste assunto seria caro demais para as eleições presidenciais e legislativas de 2007.

Villepin — que insistiu novamente que está aberto ao "diálogo" para "melhorar" o CPE, mas não para retirá-la dos planos — diz que "não pode recuar, porque se fizer isso estará morto", em relação às suas aspirações ao Palácio do Eliseu, disse um ministro ao
Le Monde que não quis se identificar.

Para alguns governistas, Villepin levou adiante o CPE sem negociação prévia com os sindicatos, e criou esta crise sem planejar um "plano B".

Uma vez votada pelo Parlamento, a lei de igualdade de oportunidades, onde o CPE foi incluído por emendas, não precisa de nenhum decreto para sua entrada em vigor, por isso o Governo não pode suspendê-lo ou retirá-lo como reivindicam os estudantes, os sindicatos e a oposição de esquerda.

A porta de saída que poderia abrir o Conselho Constitucional, caso assine o recurso contra o CPE apresentado pelos socialistas na terça-feira passada, é considerada de pouco efeito.

Mas a máxima autoridade francesa no âmbito constitucional não se pronunciará antes de 15 ou 20 dias, período de tempo em que as manifestações e os protestos poderiam aumentar ou acabar.

Outra possibilidade é que o Conselho Constitucional censure parcialmente o texto, em particular no que se refere ao período de teste de dois anos que o CPE contempla, o que permitiria ao presidente Jacques Chirac pedir que seja examinado de novo pelo Parlamento, em virtude do artigo 10 da Constituição.

Mas a preferência de Villepin, que amanhã à tarde receberá os membros da Comissão Permanente das Universidades (CPU), é que sua oferta de introduzir novas "garantias" ao CPE ser aceita pelos sindicatos.

O primeiro vice-presidente da CPU, Yannick Vallé, reafirmou hoje o apelo feito na véspera por 46 presidentes de universidades - de um total de 84 - para que todas as partes envolvidas sentem para um diálogo, e as aulas possam continuar normalmente.

Os bloqueios afetaram 66 universidades hoje, segundo o principal sindicato de estudantes, a Unef, enquanto o Ministério da Educação contabilizou 58 centros universitários.


Fonte: Diário Vermelho.


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