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Um em cada dez latino-americanos é subnutrido

Cuba
é, segundo a FAO, o país da América Central e Caribe com menor percentagem de subnutridos: 3%

Redacción, 15 de agosto 2005 Um em cada dez habitantes da América Latina vive em condições de subnutrição em conseqüência da pobreza, de acordo com um estudo divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), em Santiago, no Chile.

A falta de igualdade na distribuição de recursos é a principal causa de alimentação inadequada entre 52,5 milhões de pessoas na região. No entanto, a América Latina é a única região do mundo em desenvolvimento a registrar um superávit em sua produção agrícola. A taxa de subnutrição chega a 21% na Bolívia e a 47% no Haiti, mas baixa para 3% em Cuba.No Brasil, é de 9%.

Cuba é, segundo a FAO, o país da América Central e Caribe com menor percentagem de subnutridos: 3%. Já a taxa média de subnutrição nos países caribenhos é mais elevada que na América Latina em geral: 21%. A taxa é puxada pelo Haiti, onde a FAO registra que 47% da população sofre subnutrição.

Na América do Sul, a taxa mais baixa é da Argentina e Uruguai, 2,5% de subnutridos segundo a FAO. O Brasil figura com 9%. A Bolívia tem a taxa mais elevada entre os sul-americanos: 21%.

A falta de igualdade na distribuição de recursos é a principal causa de alimentação inadequada entre 52,5 milhões de pessoas na região, que representam 10% da população dessas áreas, advertiu o relatório "Tendências e desafios na agricultura e pesca na América Latina e Caribe".

O documento do FAO destaca que os subnutridos nas nações latino-americanas são mais vítimas da pobreza e da exclusão do que dos níveis de produção de alimentos. "Os países da América Latina enfrentam sérios desafios para avançar na obtenção da 'segurança alimentar' e no desenvolvimento agrícola", destaca o texto.

A "insegurança alimentar', de acordo com o FAO, obedece a "problemas que impedem uma parte significativa da população ter acesso a alimentos disponíveis, o que constitui um obstáculo para romper o círculo da pobreza que é transmitido de geração para geração".

A pobreza e a marginalidade (exclusão) afetam principalmente à população rural do continente, frisa o relatório que foi apresentado na sede da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal), em Santiago.

"É uma situação paradoxal, pois o relatório sustenta que a agricultura, incluindo agronegócios, constitui um elemento estratégico do desenvolvimento econômico da região, que é também a mais sensível a mudanças nos mercados agrícolas e a mais afetada pelas distorções no comércio internacional", continua o texto.

Para este ano, a Cepal prevê um crescimento econômico de 4,3% para as economias latino-americanas, mantendo o ritmo de crescimento que foi iniciado em 2004, quando registraram sua maior expansão em 25 anos.

Contudo, este crescimento ainda não é suficiente para alcançar a todos os latino-americanos. Segundo o FAO, o número de pobres no continente aumentou de 110 milhões, em 1960, para 226 milhões, atualmente, o que representa 44% da população total da região.

Ao problema soma-se que a América Latina continua sendo a região que exibe os maiores índices de desigualdade do mundo. "Dez por cento da população detêm 40% da receita", anuncia os estudos da Cepal.

Publicado no Diário Vermelho



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