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*Governo
ianque ordenou segundo turno, forças da paz reprimem o povo
haitiano
Redacción
15 de febreiro
2006
Após dois
anos da ocupação estrangeira, depois do golpe de
Estado contra Jean-Bertrand Aristide orquestrado por Washington
com a cooperação de Paris, o sofrido Haiti realizou,
há uma semana, eleições gerais para proclamar
o novo presidente.
A
jornada eleitoral correu bem, apesar dalguns atos de violência
e da demora em colégios eleitorais dos bairros mais pobres.
Mais de 60% dos eleitores foram às urnas com a esperança
de uma mudança num país, o qual, em face das
constante invasões norte-americanas e sucessivas ditaduras,
sofreu dois séculos de atraso.
Mais
de 80% dos 8 milhões de haitianos vivem na pobreza e uma
percentagem similar é desempregada, a taxa de analfabetismo
é elevadíssima, a expectativa de vida beira os 50
anos e doenças com a Aids se alastram à
disparada.
As recentes eleições no Haiti
foram consideradas pela comunidade internacional como um passo
positivo para a estabilidade e a paz nessa nação.
Desde o primeiro instante, as enquetes registraram o ex-presidente
René Préval como vencedor nas eleições.
Os
primeiros resultados tornados públicos pelas autoridades
eleitorais confirmaram Préval com ampla margem de 61% dos
votos, muito acima dos necessários para vencer no primeiro
turno das eleições. A imprensa haitiana e a mídia
internacional publicaram sua esmagadora vitória.
Contudo,
após uns dias, as eleições no Haiti,
proteladas durante alguns meses com a anuência dos EUA,
ficaram sob o manto da manipulação e da suspeita.
Sete dias depois da votação, o Conselho Eleitotal
Provisório ainda não terminou a contagem, ainda que
devesse dar os resultados 72 horas depois de serem fechados os
colégios eleitorais.
No domingo 12, inopinadamente,
o presidente do Conselho Eleitoral anunciou à mídia
que os votos de Préval caíram para 49%, enquanto a
página da Web dessa instituição divulgava
52%. Na segunda-feira 13, o Conselho Eleitoral informou que, com
90% dos votos, o ex-primeiro-ministro e candidato do partido A
Esperança, contava agora com 48,7% dos votos.
A
manipulação do escrutínio é evidente e
vergonhosa. Dois dos membros do Conselho Eleitoral denunciaram a
manipulação dos votos. O representante da
Conferência Episcopal da Igreja Católica, Pierre
Richard Duchemin, disse a uma emissora haitiana que "houve
manipulação dos dados, nada é transparente".
Outro dos juízes eleitorais, Patrick Requiere, criticou
perante a imprensa o diretor-geral do Conselho Eleitoral, Jacques
Bernard, por não consultar os demais membros desse
organismo nem revelar donde tirou os resultados publicados pela
imprensa.
Na segunda 13, o candidato presidencial, Jeune
Chavannes, na quarta colocação até agora no
sufrágio, reconheceu a vitória de Préval e
manifestou que a situação atual é devida a um
complô que visa ao caos social. Chavannes fez um apelo para
garantir a soberania nacional e não prestar-se a interesses
mesquinhos, como alguns almejam.
Todos destacam algo
absolutamente evidente, que se infiltrou por diversas vias: o
diretor-geral do Conselho Eleitoral, sr. Bernard, está
cumprindo a ordem dos EUA de obrigar a um segundo turno. Expertos
salientaram nestes dias que Préval não agrada nada à
Casa Branca por suas relações anteriores com o
deposto presidente Aristide, tirado do poder pelas forças
norte-americanas e obrigado ao exílio.
O The New
York Times publicou em janeiro uma investigação
que demonstra os esforços do Instituto Internacional
Republicano, muito ligado ao governo de Bush e alguns funcionários
do Departamento de Estado para desestabilizar o governo de
Aristide e expulsá-lo do país.
Face ao
propósito evidente de escamotear o triunfo a René
Préval, homem de grande prestígio que serve com
esmero ao povo, seus seguidores, a maioria dos bairros mais
humildes da capital haitiana, se lançaram às ruas
nos últimos três dias exigindo que seja respeitado o
escrutínio. Milhares de manifestantes protestaram na
segunda-feira 13 em frente das sedes do Conselho Eleitoral e do
governo e gritaram consignas como "Préval é
presidente" e "Larápio, não sabe como
contar", fazendo alusão à atuação
do diretor-geral do Conselho Eleitoral. Os manifestantes acusaram
de manipulação de votos ao CEP e se opuseram ao
segundo turno, gritando: "Não votaremos duas
vezes".
As manifestações foram
reprimidas pelas forças da paz da ONU, instaladas no país,
com saldo de alguns feridos e um morto. A violência retornou
a essa nação pobre, após uns dias de calma
pós-eleitoral e haverá outros confrontos, se
persistirem em alterar o escrutínio das eleições.
Enquanto
isso, em Washington, com o maior cinismo, o porta-voz do
Departamento de Estado declarou, após um encontro entre
Bush, Condoleezza Rice e o secretário-geral da ONU: "Quando
um escrutínio é muito disputado, é importante
que as partes se juntem e cooperem, acima de qualquer diferença,
em interesse do país". ninguém sabe, com
certeza, a que eleições Sean McCormack se referia,
pois o segundo candidato no Haiti nem sequer atingiu 12% dos
votos.
O que está acontecendo neste país não
é surpresa. Não é a primeira vez que os
Estados Unidos intervêm a capricho no destino do Haiti, nem
a primeira vez que manipulam descaradamente, segundo sua
conveniência, o escrutínio das eleições
noutro país.
A comunidade internacional deve exigir
que seja respeitada a decisão majoritária do povo
haitiano, expressa nas urnas, e que essa sofrida nação
não seja levada a maior caos e violência, em
conseqüência dos interesses mesquinhos dos Estados
Unidos e de alguns grupos de poder haitianos.
O mundo não
deve permitir que o império manuseie as rédeas do
planeta todo. O povo haitiano, paciente, porém abnegado e
heróico, lutará por seus direitos. E que ninguém
duvide. O governo dos Estados Unidos e as tropas ocupantes, que
não hesitam em disparar contra o povo, serão os
maiores responsáveis por isso tudo.
Fonte:
Granma
Interncional.
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