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EUA muram uma cidade inteira no Iraque


Redacción 10 de xaneiro 2006 Soldados norte-americanos estão murando toda a cidade de Siniya, num ato de violência contra os moradores do local, com a justificativa de que a medida evitará os ataques a bomba quase diários de que são alvo. Escavadeiras do Exército começaram a construir um grande banco de areia ao redor da cidade, que tem 50 mil habitantes e é localizada perto de Baiji (norte), onde fica a maior refinaria de petróleo do país. Quando concluída, a proteção terá mais de 10 quilômetros de extensão e mais de 2 metros de altura.

Segundo  o Exército norte-americano, o muro é necessário para manter os insurgentes fora dali e a obra começou a ser realizada depois de ter recebido o aval da polícia local, de membros da câmara dos vereadores da cidade e de líderes religiosos. Entretanto, alguns moradores indignados, entre os quais Nima Al Kawaz, presidente da Câmara dos vereadores, reclamam que a obra parece ter sido feita para manter os moradores de Siniya presos ali dentro. "Somos contrários à construção deste muro porque ele faz a cidade parecer um centro de detenção", afirmou Kawaz.

Em agosto, os militares dos EUA já haviam construído um muro de areia em ao redor da cidade de Samarra, localizada 100 quilômetros ao norte de Bagdá, para impedir os insurgentes de entrar ali. Barreiras semelhantes foram erguidas em outros locais do Iraque. "Acho que esse muro é bom porque evitará que os terroristas entrem na cidade (de Siniya)", disse o capitão norte-americano Christopher Judge, que supervisiona a obra.

Siniya fica cerca de 15 quilômetros a oeste de Baiji. Os soldados norte-americanos e iraquianos responsáveis por patrulhar a região são alvos de ataques diários realizados com bombas plantadas ao lado de estradas. O muro ao redor da cidade começou a ser construído no dia 5 de janeiro e deve ficar pronto dentro de alguns dias.

Apesar de críticas, Bush prevê mais batalhas no Iraque em 2006


O presidente norte-americano, George W. Bush, previu ontem mais batalhas duras em 2006 no Iraque, mas disse que haverá "mais progresso em direção à vitória". Em discurso para veteranos, ele afirmou que haverá progresso no processo político no Iraque, na reconstrução e na luta contra os insurgentes durante o ano.

"Veremos mais duras batalhas e veremos mais sacrifício em 2006 porque os inimigos da liberdade continuam a semear violência e destruição. Veremos também mais progresso em direção à vitória."

Ele definiu vitória como um tempo em que os insurgentes não ameaçarão mais a democracia no Iraque, em que as forças de segurança locais poderão elas mesmas proporcionar segurança para seus cidadãos e em que o país não será mais um paraíso seguro para terroristas.

EUA têm cada vez mais baixas; críticas à sua atuação no Iraque aumentaram

Bush tenta convencer os norte-americanos céticos de que sua estratégia para o Iraque funcionará, apesar de o número de mortes de soldados estar aumentando desde a invasão para derrubar o presidente Saddam Hussein. Ele tem enfrentado uma artilharia pesada dos críticos à sua atuação no Iraque. Esta semana, Paul Bremer, o diplomata que administrou o país por um ano após a queda de Saddam, disse que sua solicitação por uma ampliação das tropas em 2004 foi rejeitada.

Bush se recusou a fixar um cronograma de saída das tropas norte-americanas do Iraque, que atualmente somam cerca de 153.000 homens, mas diz que elas poderão deixar o país quando as forças iraquianas assumirem a segurança. Mais de 2.200 norte-americanos e cerca de 30.000 iraquianos já foram mortos na guerra.

Custo da guerra no Iraque pode chegar a US$ 2 trilhões

O custo da guerra no Iraque poderia ultrapassar a casa dos 2 trilhões de dólares, uma cifra bastante superior às projeções feitas pelo governo norte-americano antes do conflito, afirmou um estudo divulgado anteontem (9/1). Esse número inclui, entre outros gastos, aqueles previstos com a assistência médica para milhares de soldados dos EUA feridos na guerra.

O economista Joseph E. Stiglitz, da Universidade Columbia, e a professora Linda Bilmes, de Harvard, somaram em seu estudo a previsão de gastos com os 16 mil soldados norte-americanos feridos no conflito – desses, cerca de 20% sofreram danos cerebrais graves ou ferimentos na coluna vertebral.

Segundo os estudiosos, os contribuintes norte-americanos terão de carregar o fardo da guerra muitos anos depois da retirada dos soldados do Iraque."Mesmo adotando uma postura conservadora, ficamos surpresos com o tamanho deles", afirmou o estudo, referindo-se aos custos totais da guerra. "Podemos dizer, com algum grau de confiança, que eles ultrapassam a casa dos 1 trilhão de dólares."

Antes da invasão do Iraque, o então diretor do governo para o Orçamento, Mitch Daniels, previu que esse seria um "empenho realizável" e rejeitou uma estimativa feita pelo então assessor de economia do governo Lawrence Lindsey, segundo o qual os EUA gastariam entre 100 bilhões e 200 bilhões de dólares. Segundo Daniels, esse era um número "muito, muito alto".

Entre os custos antes não computados estão os envolvidos na recuperação de Forças Armadas sobrecarregadas por várias missões, um crescimento menor da economia norte-americana no longo prazo e os gastos com o tratamento médicos de veteranos da guerra.

Stiglitz, que ganhou o Prêmio Nobel de Economia em 2001, e Bilmes disseram que cerca de 30% dos soldados norte-americanos haviam desenvolvido problemas de saúde mental nos três ou quatro meses que se seguiram à volta do Iraque. Os dados seriam fornecidos pelas Forças Armadas dos EUA.

Os pesquisadores basearam suas projeções parcialmente em guerras ocorridas no passado e incluíram entre os custos o aumento no preço do petróleo, o aumento do déficit norte-americano e uma maior insegurança no cenário mundial decorrente do conflito.

A projeção é de que os custos cheguem a 2 trilhões de dólares se os soldados norte-americanos continuarem no Iraque até 2010.

Segundo a tenente coronel Roseann Lynch, uma porta-voz do Pentágono, a guerra no Iraque havia custado até agora aos cofres públicos 173 bilhões de dólares.


Fonte:
Diário Vermelho.


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