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Partido Socialista soma 37% dos votos em eleições de Portugal


Redacción 10 de outubro 2005 O Partido Socialista português (PS) conseguiu somar quase 37%, um resultado numérico ligeiramente melhor do que em 2001, e ser o mais votado nas eleições municipais. Mas o Social Democrata (PSD), sozinho ou em coalizão, conseguiu um maior número de prefeituras. O PSD obteve pouco menos de 30% dos votos, quase igual ao percentual que conseguiu em 2001, quando o PS beirou os 35% dos votos. Na terceira posição, com pouco mais de 10% dos votos, ficou o Partido Comunista, com um resultado muito parecido ao de quatro anos atrás

Com a apuração muito avançada, o PSD ganhou pelo menos 120 prefeituras sozinho, outras onze aliado com o conservador Partido Popular - que obteve uma sozinho - e mais uma junto com outros grupos de centro-direita. O PS somava pelo menos 93, enquanto que os comunistas conseguiram 30 e o Bloco de Esquerda, a primeira prefeitura de sua história.

O primeiro-ministro português, José Sócrates, prometeu sua colaboração a todos os novos prefeitos, seja qual for o seu partido, e reconheceu que os resultados não eram os esperados pelo PS. Luis Marques Mendes, líder do PSD, considerou que tinha conseguido "uma grande vitória", mas isso não menospreza a solidez do Governo socialista de José Sócrates, como reconheceu o líder do maior partido de oposição.

O coordenador municipal do PSD, o ex-ministro Manuel Dias Loureiro, reconheceu que os resultados das eleições "nem têm, nem poderão ter conseqüências na estabilidade política do Governo", no qual desde março Sócrates conta com maioria absoluta. O coordenador socialista, Jorge Coelho, afirmou que seu partido conservou o respaldo do eleitorado que recebeu em 2001, mas admitiu que "o resultado não foi bom".

Manuel Maria Carrilho, o candidato socialista derrotado à prefeitura de Lisboa, atribuiu a vitória da centro-direita à falta de unidade da esquerda, que pela primeira vez se apresentou separada. Mas outros políticos de seu partido reconheceram os efeitos impopulares das medidas de ajuste contra a crise econômica, aplicadas nos sete meses de mandato pelo Executivo de Sócrates.

O PSD conservará o poder municipal de boa parte dos principais municípios lusos: Lisboa, Porto, Coimbra, Aveiro, Leiria, Santarém, Cascais e Sintra, entre outros. Os comunistas da CDU também asseguraram que tomaram seis prefeituras dos socialistas: Peniche, Marina Grande, Vidigueira, Alcochete, Barreira e Sesimbra.

A apuração foi prejudicada por um grave problema de informática que atrasou mais de uma hora e meia a difusão dos dados oficiais. Esses resultados devolveram a prefeitura lisboeta a Antonio Carmona Rodrigues, independente apoiado pelo PSD, alguns meses depois de cedê-la a Pedro Santana Lopes quando este deixou o posto de primeiro-ministro.

No Porto, Rui Rio, que em duas semanas de campanha viu cair drasticamente sua vantagem nas pesquisas, venceu sem problemas o socialista Francisco de Assis. Em Sintra, o candidato da coalizão do PSD e o conservador CDS-PP, Fernando Seara, manteve a prefeitura e acabou com as esperanças de João Soares, ex-prefeito de Lisboa e filho do ex-presidente Mário Soares.

No capítulo mais escandaloso, confirmaram-se os temores de que venceriam vários candidatos com pendências com a justiça. Três deles conseguiram sonoros triunfos e compareceram eufóricos perante os jornalistas para proclamar vitórias que, entre outras coisas, permitem-lhes resolver seus problemas legais e evitar eventuais penas de prisão.

Só Avelino Ferreira Torres, condenado a três anos de prisão por corrupção e tráfico de influências quando era prefeito de Marco de Canaveses, não cumpriu seu desejo de se transformar em prefeito de Amarante. A abstenção também provocou surpresas, já que se previa uma elevada ausência dos portugueses às urnas, sobretudo pela chegada das chuvas após meses de grave seca, e a participação superou a de 2001.


Com agências.
Nova publicada no Diário Vermelho
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