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*Irã conclama diplomacia; EUA o acusam de "banco de terroristas"

Redacción 10 de marzo 2006 A tensão entre o Irã e os Estados Unidos é crescente. Enquanto o primeiro faz um chamamento quase diminuto à diplomacia, o outro acirra mais os ataques ao programa nuclear pacífico do país e a pressão sobre as Nações Unidas para uma sanção que ajude a justificar suas medidas para o país. Em meio a isso, no final deste mês, pode ainda ser lançada a tal aguardada Bolsa de Petróleo Iraniana, que será uma grave ameaça à hegemonia do dólar.

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou ontem que busca uma solução diplomática para o seu programa nuclear pacífico, mas reforçou que o povo iraniano tem o direito de dispor de energia nuclear para fins pacíficos e que o seu país não se renderá, apesar da pressão internacional. De acordo com Ahmadinejad, "o governo vai utilizar todas as possibilidades para recuperar o direito através de uma via legal e sem tensões" e insistiu que Teerã "procura o uso pacífico da energia atômica dentro da lógica das normas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)".

O Conselho de Governadores da AIEA finalizou na quarta-feira, em Viena, suas consultas sobre o programa nuclear iraniano com uma dura troca de acusações entre os Estados Unidos e o Irã. Os 35 países membros do executivo da agência não aprovaram nenhuma resolução sobre o programa, mas enviaram formalmente o dossiê ao Conselho de Segurança da ONU, que poderá impor sanções contra Teerã. O conselho já iniciou as deliberações para decidir que atitudes tomar.

Para Ahmadinejad, que classificou como injusto o envio da questão à ONU, o Ocidente sofrerá mais do que o Irã caso o conselho opte pelas sanções. "Eles sabem que não são capazes de causar o menor dano ao povo iraniano", disse Ahmadinejad durante uma visita à província de Lorestan, no oeste do país. "Eles sofrerão mais", acrescentou, segundo a agência de notícias ISNA.

O comentário pode ser interpretado como uma ameaça velada de que o Irã usará o petróleo como arma contra o ocidente. O governo também já anunciou que no final deste mês irá lançar sua grande arma contra o império: a Bolsa Iraniana de Petróleo, que será baseada num mecanismo "euro-oil-trading", o que significa que o pagamento será feito em euro e não em dólar. [
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Em Teerã, o líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, disse a um grupo de clérigos que o Irã não irá abandonar seu projeto nuclear. "As autoridades estão obrigadas a continuar a busca por avanços tecnológicos, incluindo energia nuclear. As pessoas e o governo irão resistir a qualquer tentativa de conspiração", ele disse. O clérigo acusa Washington de procurar uma desculpa para continuar o que ele classificou como uma guerra psicológica contra o país.

Para o secretário do Conselho Superior da Segurança Nacional iraniano, Abdel Reda Rahmani Fadli, "o diálogo cria uma oportunidade nova, e através da cooperação é possível responder a todas as perguntas sobre o programa nuclear". Ele argumenta que a questão é meramente política, visto que os EUA "apóiam centenas de instalações nucleares de Israel e enfrenta as pesquisas nucleares pacíficas do Irã".

Império contra-ataca

A tática dos EUA não é nova. A Casa Branca acusa o país de manter um programa nuclear com fins militares, e diz que é mentira a obtenção de energia para fins pacíficos. Já vimos esse filme diversas vezes e sabemos aonde vai dar.

Diante do pronunciamento favorável ao diálogo, no mesmo dia, a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, fez um discurso no Senado classificando o Irã como principal desafio do país neste momento. Seu objetivo é que o Congresso aprove medidas para promover a famigerada "democracia" entre os iranianos. "Talvez não enfrentemos um desafio maior de um único país do que aquele representado pelo Irã, cujas políticas estão direcionadas a desenvolver um Oriente Médio que pode ser 180 graus distinto do Oriente Médio que gostaríamos de ver", afirmou.

O Irã "é um país que parece estar determinado a desenvolver uma arma nuclear, desafiando a comunidade internacional, que está determinada a não permitir isto", assegurou ela. Além disso, ela acusou o Irã de ser "o banco central do terrorismo" e de apoiar atividades terroristas no Iraque, nos territórios palestinos e no Líbano.

Ainda ontem, a Casa Branca anunciou que o movimento contra o país não deve começar com sanções contra o país, mas com uma "declaração forte" da presidência do Conselho de Segurança da ONU, que discutirá o assunto na próxima semana, anunciou a Casa Branca. O Conselho de Segurança deve começar a evocar seriamente a questão "provavelmente" no início da próxima semana, declarou à imprensa o porta-voz, Scott McClellan.

"Dissemos, enfim, que procuramos uma solução diplomática para a questão nuclear iraniana", disse McClellan, respondendo às especulações de que o governo de George W. Bush recorra à força contra o Irã. "Também dissemos que a primeira etapa no Conselho de Segurança não será a aprovação de sanções, mas a divulgação de uma declaração forte que indique claramente ao regime iraniano o que deva fazer", finalizou o porta-voz.

Injustiça

O Irã rejeitou a decisão da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) de enviar sua questão nuclear ao Conselho de Segurança da ONU, qualificando a medida de "injusta", e afirmou que o país não será "intimidado" a abandonar suas pesquisas nucleares. "O povo iraniano não aceitará intimidação nem decisões injustas de organizações internacionais", afirmou o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, à TV iraniana durante visita à Província de Lorestan.

"Inimigos não podem forçar o povo iraniano a abrir mão de seus direitos. A era da intimidação e da brutalidade acabou", acrescentou Ahmadinejad. Ontem, representantes dos 35 países do Conselho de Governadores da AIEA concluíram uma reunião de três dias sobre a questão iraniana em Viena, abrindo caminho para uma intervenção do CS.

O dossiê a respeito do Irã, elaborado pelo diretor-geral da AIEA, Mohammed El Baradei, foi examinado pelo Conselho de Governadores e automaticamente encaminhado ao Conselho de Segurança da ONU.

Fonte: Diário Vermelho.

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