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*Bachelet
mantém liderança para o Domingo; PC do Chile
reafirma apoio sem acordos
Redacción
10 de
xaneiro 2006
No próximo domingo, o Chile
elegerá seu novo presidente. No segundo turno das eleições
estão a socialista Michelle Bachelet e o mega-empresário
Sebastian Piñera. A seis dias da votação,
pesquisas mantêm a candidata da Concertación
(governista) como favorita, tendência que se consolidou após
o debate da última quarta-feira, do qual a ex-ministra
socialista saiu vencedora. As enquetes sobre a intenção
de voto deste fim semana mostram diferenças de três a
11 pontos percentuais.
O
secretário geral do Partido Comunista, Lautaro Carmona,
indicou em artigo publicado ontem na página do PC, que não
há acordos nem negociações com a candidata da
Concertação, mas adverte que serão parte
ativa da organização e mobilização que
a partir do mesmo 16 de janeiro exigirá o cumprimento
estrito dos compromissos que a candidata da Concertação
assumiu de centenas de dirigentes sindicais em evento organizado
pela CUT e onde se referiu a cada um dos pontos demandados por os
comunistas.
O
dirigente comunista sublinhou que o PC não tem “nem
se propôs a ter” nenhum acordo, nem negociação
com Michelle Bachelet, “o que nós temos feito é,
recorrendo às cinco propostas que são parte do
programa que levantou Gladys, que são parte do programa do
Juntos Podemos Más que levantou Tomás Hirsch. São
"cinco propostas que no plano institucional, sindical,
previdência, social, povos originários e direitos
humanos, que o país requer com urgência e temos que
exigir que Michele se pronuncie publicamente, de cara com o país
e não em uma reunião bilateral com o Partido
Comunista”, explicou.
Para Carmona, é assim,
no "encontro público e aberto" que a candidata,
na última sexta, com várias centenas de dirigentes
sindicais. "Nós temos posto sobre a mesa que estas são
demandas longamente levantadas pelo público chileno. Esse é
o compromisso público que Bachelet assumiu. Não com
o Partido Comunista senão com os trabalhadores e com o
país. É o país quem deve cobrar".
"Estar
junto ao povo do Chile, com suas organizações, com
seus sindicatos, a partir do mesmo 16 de janeiro, nos organizando,
mobilizando, para que isso se torne realidade em benefício
não do PC, senão da sociedade inteira”, disse
o dirigente comunista que foi coordenador nacional da campanha do
Juntos Podemos Más, dando por enterrada a polêmica
surgida sobre as declarações de Michelle no sentido
de que não haviam “compromissos” entre sua
candidatura e o Partido Comunista.
O que prometeu aos
trabalhadores
Efetivamente, a transcrição
do discurso de Michelle Bachelet diante do encontro de dirigentes
sindicais convocado pela Central Unitária de Trabalhadores
(CUT) na sexta-feira passada, responde precisa e claramente a cada
um dos cinco pontos que foram solicitados pelo Partido Comunista
no momento de fazer um chamado a seus militantes e amigos a
votar na candidata: Pelo fim do sistema eleitoral binominal, pelo
melhoramento significativo das aposentadorias, pelo direito à
greve e pela negociação coletiva para todos os
trabalhadores, recorrer às demandas dos povos indígenas
e organizações de meio-ambiente, especialmente
Pascualama, e um compromisso com a verdade, a justiça e o
melhoramento das reparações das vítimas de
violações aos direitos humanos.
A candidata
se referiu no primeiro lugar à mudança do sistema
eleitoral, o que se comprometeu a impulsionar. “Temos um
sistema eleitoral absolutamente injusto. Temos que terminar de uma
vez por todas com a exclusão de importantes setores
nacionais que são marginalizados pelo Parlamento. Este é
um objetivo democrático de primeira prioridade. Promoverei
os consensos necessários e impulsionarei um projeto de lei
para reformar o sistema binominal e substituí-lo por um
sistema muito mais justo, proporcional e representativo”.
Em
outro momento, ela diz que o país precisa de uma maior
igualdade nas relações entre empresários e
trabalhadores. “Isso se alcança em grande medida
ampliando e consolidando a negociação coletiva e o
direito a greve para os trabalhadores. Em meu governo,
promoveremos a organização sindical. Fiscalizaremos
fortemente a prática anti-sindical, não quero sustos
nem dirigentes perseguidos, não tolerarei”.
Ela
reiterou da mesma forma sua intenção de reformar e
melhorar as pensões, sublinhando que “o mais será
a reforma profunda das pensões em nosso país. É
um imperativo ético reformar o sistema agora, antes de que
seja demasiado tarde, empregaremos os recursos fiscais que sejam
necessários para criar um pilar solidário efetivo
que proteja às pessoas em sua velhice. Também quero
propor que a pensão assistencial seja um direito para todos
aqueles que precisem, de maneira que se acabem as filas e as
listas de espera, e daremos também, acesso automático
às pensões assistenciais e um reajuste
extraordinário às pensões mais baixas de
nosso país. Esse é meu compromisso”.
O
quinto desafio mencionado pela candidata foi o dos direitos
humanos. “A verdade e a justiça tem sido objetivos
éticos da Concertação. A democracia é
incompleta se não chegarmos a fechar as feridas do passado,
mas o futuro não terá cimentos profundos se essa
solução não for baseada na verdade e na
justiça. O Chile deve indenizar aqueles que foram vítimas
às violações aos direitos humanos por parte
do estado, e por certo, também aos exonerados
políticos”.
Finalmente se comprometeu com os
povos indígenas: “Me comprometi a iniciar um trabalho
para apoiá-los fortemente a melhorar esta situação
de desigualdade social, econômica e jurídica, em que
muitas vezes se encontram. Este é, na minha opinião,
um assunto de dignidade com o país. É fundamental se
preocupar com o desenvolvimento, identidade, educação
e cultura, assim daremos reconhecimento constitucional, porque
assim é o Chile que quero construir”.
Bachelet
afirmou que enviará uma iniciativa da lei para que os
dirigentes sindicais possam ser candidatos ao Parlamento e para
implantar a possibilidade de consultas populares, referendo,
plebiscito, com o objetivo de aumentar a participação
popular na condução do país.
Fonte:
Diário
Vermelho.
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