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*Morales: unidade e força para garantir constituinte transformadora


Redacción 09 de febreiro 2006 A Bolívia deu início ontem a um intenso debate sobre um projeto governamental de lei de convocação de eleição da assembléia constituinte, crucial para o processo de mudanças iniciado no país. Ainda que o Congresso comece a tratar o projeto em uma sessão convocada para a próxima sexta-feira, as posições começam a surgir, com evidente resistência da direita, devido ao caráter participativo e popular do projeto, orientado a uma refundação e transformação do país.

“O povo boliviano, o movimento popular, especialmente o movimento indígena, que não participou da fundação da Bolívia em 1825, agora quer refundar o país”, disse o presidente Evo Morales ao entregar o projeto. Para ele, a assembléia é um ato de revolução democrática do povo para substituir velhas estruturas depois de 180 anos de regime oligárquico”.

Morales já advertiu aos trabalhadores que serão necessários unidade e força do povo mobilizado para garantir a assembléia constituinte como instrumento transformador.

Segundo Morales, o projeto prevê que a constituinte tenha poderes ilimitados, sem se reduzir a um trabalho meramente reformista como pretendem setores da direita. A proposta, que o presidente submeteu ao debate parlamentar e social, estabelece que a assembléia será eleita em 2 de julho e instalada em 6 de agosto na cidade de Sucre, capital histórica da Bolívia.

Para que esses passos se cumpram, o presidente disse que o Parlamento deve aprovar a lei na primeira semana de março. A pressão popular viabilizará a convocação, cuja aprovação requer dois terços dos votos legislativos, o que exige um apoio de outras forças além do Movimento ao Socialismo (MAS).

Projeto

A idéia do presidente é que a assembléia mude as estruturas do Estado, buscando a unidade e a integração do território nacional, acabando com a discriminação, recuperando os recursos naturais e mudando a história republicana de discriminação, saques e submissão. Morales confirmou que cedeu às exigências de forças políticas tradicionais, de que os deputados constituintes sejam eleitos por votação universal, frente à proposta indígena e popular que exigia que estes setores tivessem representação direta e majoritária.

Mas pediu a compreensão dos dirigentes populares. Ele disse que é necessário aceitar a fórmula do voto direito para viabilizar o projeto e a constituinte.

O projeto estabelece que se elejam três constituintes por cada uma das 70 regiões eleitorais, nível em que o MAS obteve uma ampla maioria nas eleições gerais de dezembro passado. Depois de apontar que essa modalidade garante uma representação considerável de caráter indígena e popular, disse que o projeto prevê candidaturas alternas com critério de igualdade de gênero, para garantir ao menos um terço de mulheres na assembléia. O texto solicita também que todos os eleitores tenham direito a ser eleitos, o que faz possível a eleição de jovens desde os 18 anos.


Fonte: Diário Vermelho.

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