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Kennedy: conspiração em Hamburgo


Redacción 9 de xaneiro 2006

Por Gabriel Molina

Un dos objetivos colaterais do assassinato do presidente John F. Kennedy foi banir a Revolução Cubana. Mas esse fim no foi conseguido e eis a razão secreta para que, 42 anos depois, a conspiração continue existindo. A última maquinação vem de ressalto da Alemanha: Hamburgo, 3 de janeiro (DPA).— Um documentário da televisão pública alemã, ARD, responsabiliza o serviço secreto cubano pelo assassinato do presidente estadunidense John F. Kennedy, em Dallas, Texas, em 1963.

Wilfried Huismann, diretor do documentário, é o instrumento de turno que afirma, segundo a agência alemã: "Foi a vingança de Castro pela tentativa da CIA de assassiná-lo com uma esferográfica envenenada".

Essa não é uma acusação desprezível. O estarrecedor magnicídio teve tamanho impacto no mundo que ainda hoje, ao ser evocado, se pergunta onde estava cada um nesse momento.

Eu estava, em 22 de novembro de 1963, no pitoresco restaurante La Percherie, no porto de Argel, e me dispunha a degustar os excelentes caracóis da casa, com Helen Klein, a norte-americana chefa da imprensa do presidente Ahmed Ben Bella. De repente, soubemos da terrível notícia.

"O presidente Kennedy foi assassinado..! Agora vão culpar Cuba", disse logo. Acho que você está exagerando", respondeu-me.

Rapidamente, fomos para a agência Prensa Latina, na rua Claude Debussy número 26, onde eu trabalhava como correspondente, para ter mais informações. Lá confirmei que as diferentes agências repetiam que o governo cubano era o responsável pelo magnicídio. Surpreendida, Helen me perguntou como tinha adivinhado.

"Não sou adivinho, não" — expliquei — "Cuba é para os Estados Unidos a causa de todo o mau. Um pouco de histeria e também porque estão procurando uma justificativa para tentar esmagar-nos".

Porém, poucas horas depois, a acusação sumiu com a mesma rapidez com que tinha sido veiculada. Na hora, tudo ficou no mistério.

Quinze anos depois, em Washington, pela enéssima vez flutuava no ar a mesma acusação. O Comitê Especial criado para investigar os assassinatos do presidente John F. Kennedy, do seu irmão Robert e de Martin Luther King manejava muitas teorias acerca do assassinato do presidente dos Estados Unidos. De novo, a mídia manipulava o tentativa de levantar suspeitas sobre o governo de Cuba. Um jornalista de Washington, muito ligado ao FBI, revelou-me confidencialmente que a versão saiu originalmente da CIA, a qual distribuiu uma nota afirmando que Lee Harvey Oswald tinha cometido o magnicídio às ordens do governo cubano. Acrescentou que, depois, o FBI ordenou retirar a acusação da mídia.

Quando perguntei ao veterano jornalista por que o FBI tinha desautorizado a CIA, ele explicou que acharam que era uma irresponsabilidade que poderia ter desencadeado fatos imprevisíveis, como uma Terceira Guerra Mundial.

A primeira investigação importante do assassinato foi feita pela Comissão Warren, a qual examinou essa teoria e a descartou, expressando que "não houve tal conspiração".

Porém, a partir de 1967, a coluna jornalística de Drew Pearson e Jack Anderson, lançou novamente acusações idênticas. A mídia subia o tom, apontando para Cuba cada vez que apareciam novas evidências envolvendo o stablishment, dizendo que Oswald não tinha atuado sozinho. Devemos destacar que, durante sua carreira, Anderson esteve muito próximo da CIA. Reuniram-se tantas evidências que o Congresso decidiu criar um Comitê Especial, presidido pelo congressista afro-norte-americano Louis F. Stokes, para investigar os assassinatos de John F. Kennedy, seu irmão Robert e Martin Luther King. Após um ano de árduas investigações, o Comitê Stokes chegou a interessantes conclusões.

Entre seus achados figura no item C, alínea 2: "O Comitê acha, com base em evidências avaliáveis, que o governo cubano não esteve envolvido no assassinato do presidente Kennedy".

Após pesquisar nos Estados Unidos e em Cuba sobre as causas do assassinato, foram determinadas, entre outras, as intenções do presidente Kennedy de normalizar as relações com Cuba, além de outras não menos importantes razões de política interna.

O IMORAL CONLUIO CIA-MÁFIA

O Comitê Especial chegou à conclusão de que Carlo Marcello, chefão de Nova Orleans e parte do Texas, Santos Trafficante, da Flórida e James Hoffa, presidente do grêmio de caminhoneiros, "tinham motivos, meios e oportunidades para assassinar o presidente Kennedy".

Trafficante era um objetivo vital na luta da administração Kennedy contra o crime organizado. Seu nome aparecia numa lista dos dez sujeitos principais a serem investigados e combatidos.

Quando Robert Kennedy soube do imoral conluio CIA-máfia, proibiu aos funcionários envolvidos recorrer de tais associações sem informar-lhe. Mas eles continuaram fazendo-o, sob a diretoria de Richard Helms.

O relatório do Comitê expõe que a posição de Trafficante no crime organizado, no narcotráfico e seu papel como enlace principal da máfia com criminosos dentro da comunidade de exiliados cubanos lhe davam a capacidade de armar uma conspiração para assassinar o presidente Kennedy, como tentou fazer anteriormente contra Fidel Castro.

O Comitê afirma que houve uma possível conexão entre Trafficante e Jack Ruby, especialmente em Havana, em 1959, quando Ruby servia como correio dos interesses da Cosa Nostra para transferir fundos da capital cubana para Miami. Cuba forneceu as provas.

Porém, o Comitê não conseguiu achar evidências diretas de se, tanto Trafficante quanto Marcello, foram executores diretos do assassinato do Presidente. Nova Orleans, capital do império de Carlo Marcello, se tinha convertido em palco de conspirações terroristas. Era freqüentada por personagens como Orlando Bosch, Luis Posada Carriles, os irmãos Ignacio e Guillermo Novo Sampol, Eladio del Valle, Jorge Mas Canosa, Herminio Díaz e outros.

O Comitê Especial confirmou ainda, a teoria de que estes terroristas de origem cubana conspiraram, como indivíduos, para levar a cabo o crime. Os mesmos que se aliaram para atentar contra Fidel Castro o fizeram para matar Kennedy. Pouco antes de ter sido assassinado, John Roselli disse ao jornalista Jack Anderson que cubanos da gangue de Trafficante tinham participado do magnicídio. No relatório, admite-se que "os anticastristas estavam frustrados, amargurados e furiosos", e direcionavam seus ressentimentos contra Kennedy.

Pois este, poucos dias antes de ser assassinado, tinha encarregado a William Atwood discutir com representantes cubanos nas Nações Unidas a possibilidade de normalizar as relações. O delegado cubano nessas conversações foi Carlos Lechuga, nessa época embaixador na ONU. O assessor de Segurança de Kennedy, McGeorge Bundy, manifestou que o presidente queria, para quando retornasse de Dallas, um relatório sobre o andamento dessas conversações. Ainda depois de morto seu irmão, Robert Kennedy também tentou suprimir as medidas contra Cuba, mas o novo presidente, Lyndon Johnson o impediu.

O Comitê Stokes confirmou que os contatos de Oswald nos Estados Unidos eram com contra-revolucionários de origem cubana e decidiu examinar abertamente esses aspectos não investigados pela CIA, aliada aos cubano-americanos. Decidiu examinar com rigor os grupos que, além da motivação, tinham a capacidade e os recursos para se envolverem no assassinato.

Existiam muitas organizações terroristas no período compreendido entre o triunfo da Revolução cubana e o assassinato de Kennedy. E determinou-se que pelo menos duas delas; Alpha 66 e a chamada Junta Revolucionária Cubana (JURE) podem ter tido ligações com Oswald.

O Comitê Stokes escutou o depoimento de Marita Lorenz, uma bela espia recrutada por Frank Sturgis, que relatou um encontro ao que assistiu em Miami, no lar de Orlando Bosch, com a presença de Pedro Luis Díaz Lanz e Oswald, planejando uma viagem a Dallas. Acrescentou que, em 15 de novembro, ela viajou para essa cidade em dois carros, com Orlando Bosch, Sturgis, Díaz Lanz, Oswald, Gerry Hemming e os irmãos Novo Sampol. Nos quartos do hotel onde se alojaram havia vários fuzis e receberam a visita de Jack Ruby, mais tarde assassino de Oswald. Mais recentemente, Lorenz disse que Howard Hunt (Eduardo para os cubanos) entregou dinheiro a Sturgis, em 21de novembro, para uma operação que não lhe disseram qual era e retornou a Miami duas ou três horas antes do atentado.

PHILLIPS, PROTAGONISTA DO TRABALHO SUJO

Antonio Veciana, fundador da Alpha 66, declarou ao Comitê que, dentro do contexto de suas atividades contra o governo de Cuba, se entrevistou várias vezes com um oficial da CIA que dizia chamar-se Bishop. E que em agosto de 1963, em Dallas, Texas, este contactou com ele em um prédio de repartições, acompanhado de uma pessoa, que identificou depois da morte de Kennedy como Lee Harvey Oswald.

Mais tarde, Veciana confessou ao escritor Gaeton Fonzi que o nome do oficial Bishop era David Atlee Philips, que trabalhou em Havana para a CIA, sob fachada de empresário, na rua Humboldt 106, apaertamento 502. Astlee Philips-Bishop foi, a partir de 1960, em Miami, chefe de propaganda da invasão pela Baía dos Porcos, em 1961, junto de Howard H. Hunt, principal organizador do escândalo Watergate, em 1974. Em 1954, ambos conseguiram derrotar o governo de Jacobo Árbenz, na Guatemala. Os serviços da contra-espionagem cubana confirmaram a identidade deste oficial da CIA, que organizou os grupos terroristas cubano-americanos que ainda neste ano 2006 chantagéiam o governo de Bush e tentam deixar em liberdade Posada Carriles e sus cúmplices.

Um dos membros do grupo JURE, Silvia Odio, testemunhou em 1964, na Comissão Warren, que um homem que ela identificou através da mídia como o Oswald que matou Kennedy, visitou seu apartamento em Dallas, em setembro de 1963, acompanhado de dois latinos. Acrescentou que os dois hispânicos disseram ser membros da JURE.

Um deles deu o nome de Leopoldo e tinha sotaque cubano. O outro, Angelo, parecia mexicano. O terceiro, apresentou-se como Leon Oswald e ela achou mesmo que era Lee Harvey Oswald. A segurança cubana identificou os acompanhantes de Veciana como os irmãos Novo, com um avultado dossiê de assassinatos e de outras ações terroristas.

Silvia fez depoimento semelhante ao FBI e acrescentou que dois dias depois, o homem chamado Leopoldo telefonou novamente expressando que, segundo Leon, eles deviam ter matado Kennedy depois da invasão pela Baía dos Porcos. Dois meses depois, Kennedy foi assassinado.

As conclusões do relatório foram que "as declarações de Silvia são ainda acreditáveis e ainda mais quando ela sustentou insistentemente, após quinze anos, os mesmos argumentos".

Nesse mesmo dia prestou depoimento Nicholas Katzenbach, ex-secretário da Justiça da administração Johnson, quem aludiu a atritos internos e mau relacionamento entre a CIA e o FBI, durante a época da investigação.

RICHARD HELMS CONFESSOU QUE OS ASSASSINATOS DA CIA ERAM "AÇÃO POLÍTICA"

No dia seguinte, 22 de setembro, o ex-diretor da CIA, Richard Helms, provocou a indignação de alguns congressistas e espanto na maioria, ao comparecer durante sete horas no Comitê Seleto para responder indagações sobre a efetividade da investigação feita pela CIA depois do assassinato e se forneceu a outros a informação relevante que tinha. Na hora do assassinato Helms era chefe do Serviço Clandestino da CIA e o presidente Johnson o nomeou vice-diretor da CIA um ano depois. E diretor em 1966.

O congressista Christopher J. Dodd perguntou se a Comissão Warren tinha sido informada das tentativas de assassinar Fidel Castro, e se mostrou contrariado pelos contatos entre a máfia e a Agência. Helms respondeu que a Comissão Warren era só informada dos assuntos que perguntava.

Diante da insistência dos congressistas, disse que as atividades contra a Revolução Cubana incluíram tentativas de destruir usinas termelétricas e açucareiras, incendiar canaviais e outras múltiplas ações terroristas. Acrescentou que essa era uma ação política da que a Agência não era a única culpada, pois o presidente, o Pentágono, o Departamento da Justiça, o da Defesa, o de Estado e o Conselho de Segurança Nacional tinham conhecimento pleno dos planos e os aprovavam.

Alto, de cabelhos grisalhos, meio careca e ar de homem culto, terno bem ajustado, camisa branca com listras azuis e gravata escura, Helms enfrentou seus interrogadores com muita calma e até com sinais de bom humor. Com seu aspecto distinto não era fácil pensar que era o homem que a partir do seu gabinete, dava as ordens de assassinato. Friamente, com asepsia, se referia às criminosas tentativas de cumplicidade com os capangas da máfia.


Fonte:
Granma Internacional.


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