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*Chávez,
Maradona e Alca centralizam atenções na
Argentina
Redacción
07 de novembro 2005
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e o ex-craque Diego
Armando Maradona concentraram ontem as atenções em
uma Argentina mobilizada contra o plano norte-americano da Alca.
Maradona, que viajou a Mar del Plata num trem lotado de
militantes, agradeceu o apoio. "Obrigado por estarem aqui. A
Argentina é digna. Vamos expulsar o Bush", disse.
Se
os países do continente
americano quiserem fazer uma área de livre comércio
sem o Mercosul, "é problema deles", disse ontem
(4/11) o chanceler do Brasil, Celso Amorim. Foi uma resposta às
declarações do presidente mexicano Vicente Fox. Ele
disse que os 29 países em favor da Área de Livre
Comércio das Américas (Alca) poderiam implementar a
integração regional sem a participação
dos países do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e
Uruguai), além da Venezuela. Amorim afirmou que "às
vezes há uma excessiva ideologização do
debate" e que a Alca "é um tema comercial, e como
todo tema comercial há que pesar vantagens e
desvantagens".
Ele
lembrou que foram acertadas em Miami as bases para continuar a
negociação, mas "como disse o presidente Bush,
no momento, a prioridade de todos é a OMC". Segundo o
chanceler, "não há como pensar em ter uma
negociação muito profunda sobre a Alca sem saber o
que vai acontecer na OMC, sem saber como será acesso aos
mercados em produtos agrícolas e sem saber o que vai
ocorrer com os subsídios agrícolas, por exemplo".
Amorim destacou ainda que essa ponderação é
feita por todos os ministros negociadores, inclusive dos EUA e do
Canadá, que defendem a Alca.
Ele opinou que "é
preciso desdramatizar a questão". "Não é
uma questão nem de enterrar, nem de ressuscitar; é
uma questão de discutir, no momento oportuno, com base no
que se avançar em Hong Kong e levar em conta o acordo de
Miami", afirmou. Em relação à proposta
do México de fixar a data de abril de 2006 para retomar as
negociações da Alca, Amorim argumentou que os
presidentes "poderiam colocar qualquer data porque o papel
aceita qualquer coisa". Como exemplo, ele citou que se no
documento final da Cúpula for decidida a data de janeiro e
se nessa ocasião a rodada de negociações da
OMC não tiver sido concluída, as discussões
da Alca sofreriam um novo desgaste desnecessário porque
teriam que ser adiadas.
Mercosul unido
Na
verdade, Amorim expressou a opinião do Mercosul, que está
atuando unido para rechaçar a Alca, apoiada pelos Estados
Unidos. Amorim não descartou "um possível
entendimento" sobre a fórmula da declaração,
mas manteve sua posição de rejeitar prazos para o
reinício do processo da Alca, afirmando que prefere esperar
os resultados da reunião da OMC, que acontecerá no
próximo mês em Hong Kong. "Podemos colocar
qualquer data (...); se quiserem marcar uma reunião para
janeiro, poderemos ter uma reunião em janeiro. Mas, se em
janeiro dissermos 'ah! restaram pendências de Hong Kong',
então teremos de adiar a reunião para setembro ou
outubro", disse Amorim.
O ministro criticou a pressão
para fixar esses prazos. "Qual é a vantagem? Os que
propõem (isto) contrariam a visão destas cúpulas,
que trabalham na base do consenso", afirmou. "Não
queremos enterrar nem ressuscitar a Alca", mas "discutir
no momento oportuno e em função do que conseguirmos
em Hong Kong", afirmou.
O presidente venezuelano, que
aplaudiu Kirchner de pé após seu discurso de
abertura da Cúpula, disse que as palavras do presidente
argentino são um estímulo "para que cada um que
defende suas verdades". Em seu discurso, Kirchner disse que
os organismos financeiros internacionais devem "assumir sua
cota de responsabilidade" na "tragédia" que
significou para seu país a aplicação nos anos
90 das políticas de ajuste estrutural.
Alca, para
o inferno!
Após a sessão inaugural da
cúpula, Chávez foi dos últimos presidentes a
sair do teatro e de imediato foi rodeado por dezenas de pessoas e
uma nuvem de jornalistas e fotógrafos. O presidente
venezuelano cumprimentou muitos dos presentes, parou para posar
para fotos com algumas pessoas e foi abraçado por uma
senhora, enquanto outros gritavam "Chávez, amigo".
Pouco antes, ele proclamou o "enterro" da Alca, e instou
uma multidão reunida em Mar del Plata "a parir o
socialismo do século 21". Chávez foi o
principal orador de um ato da Cúpula dos Povos, antagônica
à das Américas, do qual participaram hoje cerca de
40.000 pessoas em um estádio do balneário,
localizado 400 quilômetros ao sul de Buenos Aires. "Alca,
para o inferno!", exclamou o presidente venezuelano no
estádio "José María Minella".
Ele
prometeu aos presentes levar à reunião de
presidentes as "históricas conclusões" da
também chamada "contra-cúpula". As
conclusões da Cúpula dos Povos, nas quais são
rejeitadas a "abertura comercial" e a militarização
da América Latina por parte dos Estados Unidos, servirão
a Chávez "de inspiração", disse o
venezuelano, para falar aos participantes da reunião de
presidentes, entre eles o americano George W. Bush. "Façam
uma cópia, que eu entregarei a todos eles", afirmou ao
público reunido no estádio, que também o
ovacionou quando ele falou da Alca. "Cada um de nós
trouxe a pá de enterrador da Alca, porque aqui, em Mar del
Plata, fica o túmulo da Alca", disse o presidente
venezuelano.
Líderes da independência
Chávez
dividiu as ovações com o ex-craque Diego Armando
Maradona, o candidato presidencial de esquerda boliviano Evo
Morales e os artistas Silvio Rodríguez, cubano, e Daniel
Viglietti, uruguaio. Chávez se abraçou com todos
eles e com Hebe de Bonafini, líder da organização
Mães da Praça de Maio, entre outros participantes, e
expressou "as saudações latino-americanas"
do presidente de Cuba, Fidel Castro, que, mesmo ausente, também
foi ovacionado. Maradona, que viajou de Buenos Aires a Mar del
Plata em um trem lotado de militantes anti-globalização
que participaram de uma manifestação de repúdio
à presença do presidente dos Estados Unidos, George
W. Bush, agradeceu o apoio popular. "Gosto muito de vocês,
obrigado por estar aqui. A Argentina é digna. Vamos
expulsar o Bush", disse ele, que tinha uma pequena bandeira
cubana amarrada ao cinto.
Chávez, vestido com
jaqueta azul e camisa vermelha, aclamou Eva Perón, o líder
guerrilheiro Ernesto Che Guevara, e Simón Bolívar e
José de San Martín, líderes da independência
de vários países da América Latina. "Fidel,
com quem falei hoje, me encarregou de cumprimentar-lhes e, embora
fisicamente ele não esteja aqui, está conosco",
disse. Chávez disse que falou com o presidente cubano e que
este estava vendo "tudo isto pela televisão",
concretamente "pela cadeia Telesur", que tem sede em
Caracas. "Eu disse a Fidel que depois ligaria para ele",
afirmou, acrescentando que se despediu dele com um "hasta la
victoria, ¡siempre!" (até a vitória,
sempre!), uma dos lemas da Revolução cubana de
1959.
Multidão em Caracas
Durante
quase duas horas de discurso, o presidente venezuelano lembrou
também "Evita" Perón, o Che Guevara, Rosa
Luxemburgo e até de Mao Tsé-Tung. Chávez
disse que "é absolutamente verdade" que "o
imperialismo americano, em seu desespero, está preparando
um plano de agressão contra a Venezuela". "Pretende
o que tem pretendido há anos: deter a Revolução
Bolivariana. Mas assim como fracassou na tentativa de deter a
Revolução Cubana, fracassará em deter a
bolivariana", garantiu. Chávez assegurou que, se os
Estados Unidos tentassem atacar a Venezuela, começaria "a
guerra dos cem anos".
Em Caracas, uma multidão
marchou em repúdio aos presidentes dos Estados Unidos e do
México. A manifestação teve a participação
do vice-presidente venezuelano, José Vicente Rangel. As
palavras de ordem contra Fox surgiram ao serem divulgadas suas
declarações a favor do plano dos Estados Unidos de
criar a Alca. O deputado bolivariano Darío Vivas sustentou
que "o povo saiu às ruas para acompanhar Chávez
em sua presença na III Cúpula dos Povos e na IV
Cúpula das Américas". Ele destacou ainda que as
manifestações apóiam "políticas
nacionais em função de uma integração
latino-americana com um modelo econômico que rompa com o
esquema liberal (...), intervencionista e bélico do Governo
Bush". As transmissões de rádios e canais de
televisão das ruas por onde passava a marcha no centro de
Caracas foram suspensas e substituídas por uma cadeia
nacional que exibiu um ato anti-Alca no estádio na
Argentina. Em Montevidéu, Uruguai, também houve
manifestação.
Pérez Roque
Em
Buenos Aires, uma multidão calculada em 60 mil pessoas
protestou contra a presença de Bush na Argentina. Sob os
lemas "Fora Bush" e "Não à Alca",
representantes de organizações sindicais, de
direitos humanos, artistas e piqueteiros se concentraram em
diversos pontos da capital argentina para protestar contra a
visita do presidente norte-americano. A organização
Fedecámaras, que reúne comerciantes e empresários,
convocou para a um blecaute em toda a América Latina para
repudiar a presença d e Bush na região. Além
disso, uma série de e-mails que circulou nos últimos
dias convidou os argentinos usar alguma peça branca
enquanto dure a cúpula de Mar del Plata, também num
sinal de protesto.
Segundo o chanceler cubano, Felipe Pérez
Roque, Bush enfrenta a manifestação "que
merece". A Cúpula "está sendo
organizada pelo governo dos Estados Unidos, e nós não
achamos que ela tenha o menor impacto nem transcendência.
Ela não tem nada que oferecer", disse o chanceler
cubano. A mobilização contra Bush, acrescentou, "é
a expressão de um sentimento latino-americano amplamente
divulgado", porque "(o presidente) encarna o sentimento
guerrerista, ignora a responsabilidade sobre uma guerra injusta e
ilegal no Iraque e temas difíceis de explicar como a
existência de prisões secretas onde há tortura
na Europa do Leste", disse ele. Pérez Roque participou
hoje em Santa Clara, no centro da ilha, de uma ativa jornada para
denunciar os efeitos do embargo norte-americano contra Cuba.
Com
agências internacionais. Nova
publicada no Diário
Vermelho.
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Cúpula dos Povos começa hoje *Cúpula
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