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*Termina
Cúpula das Américas sem Alca
Redacción
07 de novembro 2005
Ponto para os países do Mercosul e para a Venezuela, que
foram firmes na negociação com os Estados Unidos.
Sem consenso, a declaração final ficou apenas
registra às divergências. "Fomos cinco
mosqueteiros, com os joelhos na terra, brigando no debate sobre
essa integração", festejou o presidente
venezuelano Hugo Chávez, a respeito de sua atuação
perante os líderes dos países membros do Mercosul.
"George W. Bush foi derrotado. Vocês não viram a
cara dele quando foi embora?", provocou Chávez.
Não
passou e não passará. As pressões e
chantagens do governo dos Estados Unidos sobre os 34 países
membros da 4ª Cúpula das Américas não
foram suficientes para aprovar encaminhamentos que levassem à
implementação da área de livre comércio
na formatação que lhe agrada. O evento, que
aconteceu nos últimos dois dias em Mar del Plata, aprovou
uma declaração que registra as divergências
sobre a Área de Livre Comércio das Américas
(Alca) e sugere a possibilidade de um outro encontro específico
sobre o tema. Muito longe dos anseios imperialistas.
A
Declaração de Mar del Plata que foi emitida contém
três pontos sobre as negociações da Alca. Um
parágrafo faz referência a "um grupo de países
que está disposto a continuar negociando a Alca, tal como
está agora". Outro, registra a posição
dos quatro países do Mercosul e da Venezuela, "que
entendem que não há condições para
continuar negociando a Alca nos termos em que está
proposta", disse. O terceiro parágrafo inclui uma
"oferta" do presidente colombiano, Álvaro Uribe,
"de convocar uma reunião de negociadores para avaliar
a situação geral da Alca, tirar conclusões e
fazer recomendações aos governos".
Na
opinião do vice-ministro das Relações
Exteriores da Argentina, Jorge Taiana, o resultado final foi que
"houve acordo com desacordo". Taiana e o ministro das
Relações Exteriores do país, Rafael Bielsa,
foram encarregados de explicar à imprensa o documento
final, acertado oito horas após a volta do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva ao Brasil e seis horas depois do
embarque do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, à
capital brasileira. Bush e Lula se reúnem hoje em
Brasília.
"Vejam o tamanho do PIB (Produto
Interno Bruto) dos que estão de acordo e o dos que não
estão de acordo com a Alca", disse Bielsa. O chanceler
fazia referência, específica ao Brasil, à
Argentina, ao Paraguai, ao Uruguai e à Venezuela, ricos em
agricultura, itens da indústria e petróleo. Sem
dizer nomes, se referiu a países como o Peru e Equador,
que, no entendimento de diplomatas brasileiros, poderiam ter sua
economias fortalecidas a partir do acordo com os Estados Unidos,
além do México e do Canadá, por exemplo.
O
segundo e último dia da 4ª Cúpula das Américas,
segundo a imprensa argentina, foi marcado por horas de tensão.
Foi considerada a ausência de uma declaração
final, já que as divergências dominaram as discussões
durante todo o dia. O presidente Bush teria dito, ainda de acordo
com a imprensa local, que seria "preocupante" não
haver uma declaração final assinada por todos os
países. Às 14h, marcou-se entrevista coletiva para o
anúncio das conclusões do encontro.
Mas a
declaração final foi adiada, e somente quatro horas
mais tarde, Bielsa e Taiana falaram para um auditório
lotado sobre o "acordo com desacordo". Foram tantas as
perguntas sobre a Alca que o ministro argentino disse: "A
Alca não é uma palavra religiosa. Não é
dessas palavras proibidas como belzebu ou satanás. Mas
vamos negociar para definir o que beneficie nossos povos".
O
grande derrotado
Mais tarde, numa outra entrevista, o
presidente da Venezuela, Hugo Chávez, declarou: "Fomos
cinco mosqueteiros, com os joelhos na terra, brigando no debate
sobre essa integração". O líder
venezuelano comentou: "George W. Bush foi derrotado. Vocês
não viram a cara dele quando foi embora?".
Chávez
disse que Bush "foi o grande derrotado" na Cúpula
das Américas, apesar da sua "forte pressão".
Ele revelou que houve "uma espécie de chantagem"
dos Estados Unidos e do Canadá para que fosse aprovado um
pronunciamento a favor de reativar a Alca. Além disso,
segundo Chávez, fracassou uma moção
apresentada pelo Panamá que estava em sintonia com os
interesses de Washington. Bush "foi embora antes que
terminassem os debates porque viu a derrota vir: não se
viu, mas o homem levava golpes na cara", disse o presidente
venezuelano durante uma entrevista coletiva.
Mercosul
Chávez
disse que o Mercosul e a Venezuela se comportaram durante os
debates "como cinco mosqueteiros" contra essas pressões.
O presidente venezuelano afirmou que até o presidente da
Argentina, Néstor Kirchner, teve que pedir três
separações "para dar lugar a concílios",
e as discussões chegaram a tal ponto "se aproximaram
da falta de respeito" aos cinco países que rejeitaram
a posição dos EUA e de seus aliados. "Néstor
Kirchner disse, num determinado momento, que não gostamos
aqui de que nos venham com prepotência", disse.
Chávez
também elogiou a firmeza com que o presidente Lula defendeu
a posição do Mercosul. Tabaré Vázquez,
presidente do Uruguai, "falou calmo, mas firme", e o
presidente paraguaio, Nicanor Duarte, "foi firme, como um
raio", acrescentou Chávez.
O presidente
venezuelano disse que, em Mar del Plata, houve "um debate
inédito em cúpulas", em referência a que
"jamais se chegou à intensidade, profundidade e
franqueza de hoje". Segundo Chávez, o resultado desta
cúpula mostra que "não se pode impor uma
proposta fundamentalista, como é a Alca", e também
ficou refletido que "começou a surgir uma nova
consciência no sul".
"A política
reivindica mais uma vez seu lugar no mundo, os técnicos
fazem um grande trabalho, mas os políticos e os estadistas
que têm que ter um debate", afirmou. "Não é
aceitável que se queira impor o critério de que se
apóia a Alca está comigo, e se não aceita
está contra mim: as coisas não são assim,
isso é fundamentalismo", ressaltou. Chávez
disse que a Alca "está morta", mas "há
os que querem mantê-la viva e passeiam seu cadáver
por ali".
O presidente da Argentina, Néstor
Kirchner, também destacou a força do Mercosul na
Cúpula das Américas e a dureza das discussões
da reunião, na coletiva. O encontro "foi duro",
admitiu o presidente, mas assegurou que "se lutou com
dignidade até o último momento". "Ficou
demonstrado que o Mercosul está forte", afirmou.
O
mesmo documento inclui declarações de solidariedade
ao Haiti, referências à importância da
manutenção da governabilidade na Bolívia, e o
destaque para a importância da geração de
trabalho, que, segundo o vice-chanceler argentino, é a
parte mais extensa e detalhada do documento final. Nela,
ressalta-se, por exemplo, a importância do crescimento com
igualdade social, a necessidade de apoio às pequenas e
médias empresas e a geração de postos de
trabalho como forma de combater a pobreza.
Um texto
conciliador, já que também existiam diferenças
neste item, com os governos dos países desenvolvidos
defendendo maior flexibilização das leis
trabalhistas e o Mercosul sugerindo maior cautela e proteção
ao trabalhador. A próxima reunião da Cúpula
das Américas será em 2006 em Trinidad e Tobago.
Com
agências internacionais. Nova
publicada no Diário
Vermelho.
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