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*Anistia
Internacional condena EUA por detenção de 14 mil no
Iraque
Redacción
07 de marzo 2006
As
forças de ocupação dos Estados Unidos e do
Reino Unido no Iraque detiveram milhares de pessoas sem acusação
alguma, por longos períodos, e há cada vez mais
evidências de que as forças de segurança
colaboracionista do Iraque têm torturado prisioneiros,
revelou ontem (6/3) um novo relatório da Anistia
Internacional sobre a ocupação ilegal do Iraque.
A
organização internacional de direitos humanos faz
uma contundente crítica à força de ocupação
liderada pelos Estados Unidos por terem detido cerca de 14 mil
pessoas, sendo que 3,8 mil ficaram presas por mais de um ano,
enquanto outras 200 passaram mais de dois anos nas cadeias
militares, apontou o grupo, no relatório denominado "Além
de Abu Ghraib: detenção e tortura no Iraque".
"EUA
e Reino Unido têm a convicção de que deter
milhares de pessoas sem acusação é algo
completamente defensável, o que é extremamente
perigoso para o mundo", disse ontem em Londres Neil Durki, um
dos porta-vozes da Anistia.
Como
em Guantânamo
A
situação dos detidos no Iraque era comparável
à dos prisioneiros do campo de concentração
de Guantânamo, "mas em uma escala muito maior", e
as detenções pareciam ser muito mais "arbitrárias
e indefinidas", segundo o relatório.
"Isso
passa à população do Iraque a percepção
de que as forças multinacionais consideram que os padrões
normais de direitos humanos não são aplicáveis
no Iraque", disse.
O relatório também
acusa os Estados Unidos de torturarem presos com choques e
espancamentos com canos de plástico, mesmo com a promessa
americana de não permitir esse tipo de tratamento para com
os detentos desde o escândalo de Abu Ghraib. Muitas torturas
relatadas ocorreram em prisões controladas por autoridades
iraquianas.
Em Bagdá, o representante do ministro do
interior para assuntos policiais, major general Ali Ghalib, como
era de se esperar, negou todas as acusações.
Em
novembro, o primeiro ministro Ibrahim al-Jaafari reconheceu que
170 iraquianos presos em um complexo do Ministério do
Interior, em Bagdá, mostravam sinais de tortura e
desnutrição.
Falta
de cuidados não diminuiu
A
Anistia, com sede em Londres, informou que em entrevistas no ano
passado e neste ano com ex-presidiários na Jordânia e
no Iraque, parentes de detentos atuais e advogados envolvidos em
casos de prisão no Iraque, mostraram que a falta de cuidado
com os prisioneiros não diminuiu desde o escândalo de
Abu Ghraib, há três anos.
No caso de Abu
Ghraib, fotografias de 2003 mostram detentos iraquianos sendo
torturados por soldados americanos, o que causou uma onda de
indignação e ódio pelo mundo e terminou
apenas com a condenação de alguns soldados
americanos de baixa patente.
Nos novos relatos, ex-detentos
afirmam que foram espancados com canos de plástico e
receberam choques elétricos. Ainda segundo os
ex-presidiários, soldados americanos faziam com que eles
ficassem em pé em uma sala encharcada enquanto passavam
corrente elétrica pela água.
Novas
"acomodações"
Em
fevereiro, nova imagens de presos sendo torturados em Abu Ghraib,
ainda mais indignantes, foram divulgadas pela Special Broadcasting
Service, uma emissora de TV pública da Austrália.
O
relatório da Anistia afirma, citando um site do exército
dos EUA, que no ano passado as prisões iraquianas tinham a
capacidade para 14 mil detentos. Neste ano, os EUA pretendem
gastar cerca de US$ 50 milhões para expandir a capacidade
para 16 mil.
A grande maioria das 14 mil pessoas presas no
Iraque está sob custódia das forças invasoras
americanas. Tropas britânicas detêm, hoje, 43
prisioneiros em uma instalação em Shaiba, sul do
Iraque, segundo informações do ministério de
Relações Exteriores. Essas detenções
estão sujeitas a inspeções regulares por
parte de um quadro de advogados internacionais, mas eles só
podem fazer solicitações e intervenções
por escrito.
Sem
acusação
Segundo
a Anistia, aos advogados não é permitido acessar
nenhuma prova ou evidência, supostamente utilizada pelas
tropas para deter seus clientes.
Um homem, Hilal Abdul
Razzaq aAli al-Jedda, está nas prisões britânicas
desde que foi detido em outubro de 2004. O homem, de 48 anos e que
tem dupla nacionalidade — britânica e iraquiana, foi
detido sem nenhuma acusação, e um espera um
julgamento do Tribunal de Apelações desde que
prestou depoimento em janeiro deste ano.
O Ministério
das Relações Exteriores britânico disse que
"segue linhas rigorosas para deter suspeitos".
"Acreditamos que a detenção desse homem é
legal e justa, mas está suijeita a uma revisão",
disse um dos porta-vozes do Ministério.
Leia o
resumo do relatório (em espanhol) no sítio da
Anistia
Internacional.
A íntegra foi publicada em inglês
e tem mais informações e relatos.
Fonte:
Diário
Vermelho.
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