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*Partidos
pró-Chávez têm ampla vitória nas
eleições legislativas
Redacción
06 de
decembro 2005
Os venezuelanos votaram para renovar a Assembléia
Nacional. Oposição anunciou boicote, alegando
supostas irregularidades. Observadores viram pleito normal e
criticaram boicote. Os partidos pró-Chavez obtiveram ampla
vitória e podem levar todas as cadeiras. Abstenção
deve ficar entre 67 e 75%.
As
forças políticas que apóiam o presidente Hugo
Chávez obtiveram uma ampla vitória nas eleições
legislativas que ocorreram neste domingo (4) na Venezuela.
Marcada pelo boicote dos principais partidos de oposição,
a eleição registrou um elevado índice de
abstenção. Segundo as últimas apurações
oficiais esse índice deve ficar entre 67 e 75%. O
voto na Venezuela não é obrigatório.
Os
partidos que apóiam o governo do presidente Hugo Chávez
devem conquistar todas as 167 cadeiras da Assembléia
Nacional, segundo estimativas não-oficiais. O Movimento
Quinta República (MVR), partido de Chávez, deve
obter 114 cadeiras e as restantes devem ficar divididas entre
outros partidos que também apóiam total ou
parcialmente o governo. A oposição, que decidiu
boicotar as eleições alegando supostas
irregularidades, tinha até aqui 79 dos 165 lugares da
Assembléia Nacional.
Agora, a estratégia dos
opositores de Chávez será questionar a legitimidade
do novo parlamento, argumentando a partir do índice de
abstenção que teria chegado a 75%. Observadores
internacionais não constataram qualquer irregularidade na
eleição e criticaram o boicote da oposição,
lembrando o compromisso de participação assumido com
as autoridades eleitorais, perante as delegações da
Organização dos Estados Americanos (OEA) e União
Européia.
Chávez
prevê morte de partidos tradicionais Chávez
disse que os partidos que decidiram não participar das
eleições estão "acelerando sua
morte". Segundo Chávez, houve algumas tentativas
de sabotar as eleições. "A primeira tentativa
foi desses partidos velhos. Assim acontece com os partidos que
estão velhos e que resistem a morrer", assinalou. Para
o presidente venezuelano, esses partidos deveriam ser
ilegalizados devido ao boicote. "Acho que já chegou a
hora da morte e quem sabe eles mesmos aceitam e aceleram sua morte
com o que fizeram", acrescentou.
Os observadores
internacionais que acompanharam o processo eleitoral afirmaram, no
final da tarde de domingo, que tudo estava transcorrendo em um
clima de normalidade. As eleições foram acompanhadas
por 150 observadores da União Européia, 100 da OEA
e por um grupo de 180 personalidades, entre as quais os
presidentes dos organismos eleitorais do continente. O chefe da
missão de observadores da Organização dos
Estados Americanos (OEA), Rubén Perina, disse que nos
lugares que visitou, o processo eleitoral na Venezuela "foi
normal e tranqüilo". A organização
venezuelana Ojo
Electoral,
a mais credenciada entre as nacionais dedicadas à
observação, confirmou a normalidade do pleito em seu
primeiro boletim do dia.
Com 79,1% dos votos apurados, a
abstenção era de 75%, segundo o primeiro boletim
do Conselho Nacional Eleitoral. Segundo uma avaliação
preliminar do secretário de organização do
Movimento Quinta República (MVR), que agrupa forças
políticas apoiadoras de Chávez, Willian Lara, a
contagem de votos prevê a eleição de 114
integrantes do partido governamental. O novo parlamento, que será
instalado no dia 5 de janeiro de 2006, deverá ter
uma maioria esmagadora, senão total, de partidos
pró-Chávez, reunindo deputados do MVR, Podemos,
Pátria para Todos, Partido Comunista e União
Popular.
O ministro de Educação e Esportes,
Aristóbulo Istúriz, defendeu a legitimidade da nova
Assembléia Nacional mesmo que se confirme o índice
de 25% de participação popular. Segundo ele, na
Venezuela há uma tendência histórica de altas
abstenções em eleições legislativas.
Lembrou que nas eleições legislativas de 2000, houve
uma participação de 27% do eleitorado, em um ano em
que também foram realizadas eleições
presidenciais.
O
boicote da oposição Somente
10,08% dos mais de cinco mil candidatos inscritos renunciaram a
participar das eleições legislativas, segundo
informações do Conselho Nacional Eleitoral (CNE).
Partidos de oposição ao governo Chávez
anunciaram a intenção de boicotar o processo
eleitoral. No entanto, a maioria dos candidatos desses partidos
não oficializou a retirada de suas candidaturas como
estabelece a lei. A Ação Democrática (AD) e o
partido social-cristão COPEI lideraram o anúncio do
boicote. Desde 1998, os dois partidos já sofreram nove
derrotas eleitorais consecutivas para Chávez.
Segundo
o CNE, 5.516 candidatos inscreveram-se para disputar uma vaga na
Assembléia Nacional e nos parlamentos Andino e
Latino-americano. Destes, apenas 556 retiraram seus
nomes.
Observadores latino-americanos rechaçaram as
acusações da oposição de que a
legitimidade e a transparência da eleição
estariam ameaçadas. O uruguaio Wilfredo Penco indicou que,
segundo o acompanhamento dos observadores internacionais, existem
todas as condições necessárias para um
processo eleitoral limpo. Antes do anúncio de retirada de
candidaturas, feito por cinco partidos de oposição,
as pesquisas indicavam que o Bloco da Mudança, que reúne
os partidos aliados de Chávez e é liderado pelo
Movimento Quinta República, devem ganhar dois terços
das 167 cadeiras da Assembléia Nacional. As autoridades
eleitorais venezuelanas estimavam uma participação
de 61% dos eleitores, em um universo superior a 14 milhões
de venezuelanos aptos a votar.
Denúncia
de golpe
Nos
dias anteriores ao pleito, autoridades venezuelanas advertiram que
um novo golpe de Estado ameaça o país. Em um
documento divulgado em Buenos Aires e em outras capitais do
continente, o embaixador da Venezuela na Argentina, Roger Capella
Mateo, denunciou que “um novo golpe contra a democracia
venezuelana está sendo gestado nas eleições
de 4 de dezembro”, apontando como indício desse
movimento o anúncio de abstenção por parte da
oposição com o objetivo de deslegitimar o iminente
triunfo eleitoral de Chávez. Mateo responsabilizou
diretamente o governo dos Estados Unidos pela nova tentativa de
golpe. Ainda segundo o diplomata, a primeira fase do plano de
desestabilização foi justamente o anúncio da
retirada dos principais partidos da oposição da
disputa, alegando desconfiança na lisura do pleito.
No
sábado, o presidente Hugo Chávez convocou a
população a votar maciçamente nas eleições
legislativas e garantiu a segurança para todos os
eleitores, em mensagem veiculada em cadeia nacional de rádio
e televisão.
Fonte: Agencia
Carta Maior
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