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Irã adverte que retomará enriquecimento se for levado à ONU


Redacción 06 de marzo 2006 O Governo do Irã revelou ontem (5/3) que retomará o enriquecimento de urânio se o Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que se reunirá hoje, enviar a questão do programa nuclear iraniano ao Conselho de Segurança da ONU.

O comentário foi feito durante entrevista coletiva concedida em Teerã pelo principal negociador e secretário-geral do Conselho Supremo da Segurança Nacional iraniano, Ali Larijani, que afirmou também que seu país utilizará o petróleo como meio de pressão se for levado ao Conselho de Segurança.

"Enviar o expediente nuclear ao Conselho de Segurança não levará o Irã a abandonar suas pesquisas" nucleares, disse Larijani. O negociador iraniano reiterou que Teerã "tentou construir a confiança através do diálogo e do entendimento, mas se querem utilizar a força, o Irã tem seus meios especiais" para responder.

Larijani se referia às pressões contra seu país conduzidas por Estados Unidos e União Européia (UE) e ao diálogo com a Rússia sobre a oferta de Moscou de enriquecer urânio para a República Islâmica em território russo.

O governante iraniano manteve a porta aberta ao diálogo, ao assegurar que Teerã "ainda quer continuar o caminho das negociações", desde que o caso continue dentro da AIEA.

"Até o momento, todas as portas estão abertas para encontrar uma saída pacifica ao expediente nuclear do Irã", acrescentou Larijani cujas declarações foram transmitidas pela agência Irna.

O secretário-geral do Conselho Supremo da Segurança Nacional iranianoconsiderou que a continuidade das negociações pode possibilitar que se encontre uma solução aceitável . "Nós queremos manter nossos direitos, e se o Conselho de Segurança pedir uma coisa ilógica, não aceitaremos", disse.

Larijani também acusou os Estados Unidos pela polêmica em torno do programa iraniano, e disse que Washington está usando este conflito para "esconder seus problemas no Iraque".

À parte das freqüentes advertências, os responsáveis iranianos mostraram otimismo, e não descartaram a possibilidade de conseguir um acordo de última hora com a União Européia (UE) ou Rússia, países com os quais Irã manteve conversas nos últimos dias.

"Não se deve descartar nada", afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Hamid-Reza Asefi, segundo a Irna. A mesma postura foi expressada por Larijani, que afirmou que seu país "está preparado para cooperar com as Nações Unidas e outras instituições, incluindo os Estados europeus".

Quanto à data na qual seu país retomaria o enriquecimento de urânio, caso o dossiê iraniano seja levado ao Conselho de Segurança, Larijani disse que Teerã pode retomá-lo em breve, pois possui os conhecimentos necessários para isso. As autoridades iranianas também pediram que o Conselho de Governadores evite decisões políticas em sua reunião de amanhã.

"Aconselhamos à AIEA, em nome do Ministério de Exteriores, que evite o trabalho político e atue de um ponto de vista puramente profissional", pediu Asefi.

Os ministros das Relações Exteriores da "troika" européia — Alemanha, França e Reino Unido — não obtiveram sucesso em suas demandas durante suas conversas com Larijani na sexta-feira passada, em Viena.

O Irã também não conseguiu nenhum acordo em suas negociações com a Rússia sobre a oferta de Moscou de enriquecer urânio para a República Islâmica em território russo, já que a proposta do país — de controlar o processo para não perder urânio — foi recusada em um primeiro momento.

Segundo Asefi, o principal ponto de divergência é o direito que o Irã tem de continuar a exercer soberania tecnológica fabricando o combustível nuclear com seus próprios meios, algo que UE e Rússia rejeitam.


Fonte: Diário Vermelho.

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