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Mais de 300 vôos secretos da CIA na Europa

Redacción 05 de decembro 2005 A Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA) realizou mais de 300 vôos secretos na Europa para transladar suspeitos de terrorismos a cárceres ilegais em países do leste do Velho Continente. Com essa finalidade, aviões fretados pela CIA aterrissaram em aeroportos britânicos 80 vezes e nos alemães, cerca de 100 vezes, sem contar os vôos charter, segundo foi revelado pelo diário londrino, The Guardian.

A fonte se baseou nos registros aéreos da Administração de Aviação Federal e da Indústria Aeronáutica. De acordo com o diário, uns 26 aparelhos da CIA aterrissaram e decolaram dos aeroportos da Europa para seqüestrar ou de passagem com supostos terroristas que transladaram às prisões clandestinas.

O escândalo explodiu depois que o jornal estadunidense The Washington Post revelou os vôos secretos da CIA e o translado de acusados de terrorismo a centros de tortura na Europa do Leste e a outros países.

Desde setembro de 2001, a CIA usou o território britânico para esse tipo de operações e o aeródromo mais utilizado com 75 aterrissagens foi o de Glasgow, na Escócia, segundo publicação do The Guardian.

Apesar da negativa da chancelaria britânica de que tenha autorizado tais atividades, fontes do Ministério da Defesa admitiram que foram registradas, mas que decidiram ignorá-las.

Os detidos são transportados clandestinamente a prisões de outras nações, entre as quais, a base norte-americana de Guantánamo, território cubano ocupado pelos EUA, desde princípios do século passado. A essa instalação foi levado o paquistanês Saad Iqbal Madni, que foi seqüestrado e levado para o Cairo, no Egito e depois de dois anos, o transportaram para Washington, num avião que fazia escala em Prestwick, na Escócia.

Situações semelhantes se registraram em vários países do Velho Continente, entre os quais, Portugal, Espanha, Suíça e Noruega.

Na véspera, a associação de defesa das liberdades civis Liberty, pediu esclarecimentos ao governo e à polícia sobre a implicação do território britânico nesse escândalo.

Liberty lembrou que na Grã-Bretanha a cumplicidade com a tortura é ilegal e deu um prazo de 14 dias para a resposta sobre tudo isso e ameaçou levar o caso à justiça.

Anteriormente, a União Européia e o Conselho da Europa assumiram o assunto, solicitando aos EUA esclarecimentos a respeito e que se formasse uma comissão para as investigações pertinentes.


Publicado no
Granma Internacional.


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