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*Washington expulsa diplomata da Venezuela


Redacción 04 de febreiro 2006 Os Estados Unidos decidiram ontem (3/2) expulsar uma diplomata venezuelana, como resposta à decisão de quinta-feira de Caracas de expulsar o adido naval americano John Correa, acusado de espionagem pelas autoridades da Venezuela.

O porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, disse que Jeny Figueroda Frias, identificada como chefe de gabinete do embaixador, foi declarada "persona non grata", tendo 72 horas para deixar os Estados Unidos.

Adido militar seria um espião

O presidente venezuelano determinou ontem a expulsão de John Correa, um adido naval da embaixada americana, acusando-o de espionagem.

"O capitão-de-fragata da Marinha de guerra dos EUA, que se chama John Correa, deve sair do país imediatamente", disse Chávez em discurso de comemoração dos sete anos de seu governo, transmitido em cadeia nacional.

"Decidimos, em termos diplomáticos, declarar (Correa) persona non grata, o que, em termos "criollos', significa expulsar do país um militar da missão dos EUA por espionagem", afirmou. Chávez disse ainda que, caso sejam descobertos outros militares americanos em atividades semelhantes, toda a missão militar dos EUA será expulsa do país. A embaixada informou ter recebido um comunicado do governo venezuelano sobre o caso.

O porta-voz do Departamento de Estado disse que a ação dos Estados Unidos era uma resposta à expulsão de Correa. "Eles iniciaram isto e nós fomos forçados a responder", trovejou.

Complicadas e difíceis

O vice-presidente da Venezuela, José Vicente Rangel, disse ontem que as relações estão "complicadas e difíceis", mas que o governo não permitirá que a disputa fuja de controle.

"Eles estão avançando as peças e estamos cientes do jogo, e vamos responder de forma calculada a essas agressões, sem ir a qualquer extremo", disse ele a jornalistas.

Provocação

Há meses o embaixador dos EUA passou a ler à imprensa pró-EUA do país um pequeno cartão que carrega sempre consigo e que lista os 24 complôs que o governo venezuelano identificou como ameaças a Chávez pelos EUA.

Embora a Venezuela ainda forneça 15 por cento do petróleo importado pelos EUA, o país tem procurado dispensar os Estados Unidos de sua lista de clientes, abrindo acordos energéticos e comerciais com Irã, China e Rússia.

Ao enfrentar o imperialismo americano e tornar-se uma nova referência para a esquerda na América Latina, Hugo Chávez atraiu para si o ódio do regime americano. O apoio da Venezuela a causas progressistas como o movimento pacifista da americana Cindy Sheehan, a candidatura do nacionalista peruano Ollanta Humala e ao direito do Irã de desenvolver um programa nuclear são extremamente criticados por Washington, por meio da mídia oficialesca do país.

Na quinta-feira, o secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, deu declarações à imprensa comparando Chávez a Hitler, enquanto outras autoridades menores dos EUA espalham boatos sobre vínculos venezuelanos com Irã e Coréia do Norte.

"O comentário de Rumsfeld é mais uma prova de que o governo não tem uma política coerente. Há sinais muito conflitantes", disse Michael Shifter, da entidade Diálogo Interamericano, dos EUA.


Fonte: Diário Vermelho.

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