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Mudança de tática: Carriles tira pedido de asilo e pede proteção contra tortura


Redacción, 01 de setembro
2005 Em uma atitude inesperada, o terrorista cubano Luis Posada Carriles mudou sua tática para não ser extraditado e retirou sua solicitação de asilo político nos Estados Unidos. Ele passou agora a recorrer ao Convênio Internacional de Proteção contra a Tortura, alegando que se extraditado à Venezuela será torturado. O governo do presidente Hugo Chávez rejeitou a idéia e disse que não haverá nem tortura, nem seu envio a Cuba.

A decisão de Posada foi anunciada no terceiro dia de uma audiência no centro de detenção de imigração de El Paso, no Texas, onde acontece o julgamento do pedido de asilo. Ele chegou a ser preso na Venezuela, mas escapou da prisão há 20 anos, e entrou nos EUA.

Matthew J. Archambeault, advogado de Posada Carriles, disse ao juiz William Lee Abbott que seu cliente não queria continuar testemunhando, para evitar prejudicar assuntos delicados de segurança dos EUA e de outros países. Posada Carriles foi membro da CIA, onde recebeu treinamento em explosivos e armas, segundo o terrorista revelou na terça-feira, combateu a guerrilha na América Central e foi chefe de operações da Direção dos Serviços de Inteligência e Proteção (DISIP) da Venezuela. O advogado disse também, em entrevista coletiva, que "ele sabe muito, e, se falar, pode prejudicar o FBI, a CIA e o governo em geral". O juiz Abbott e a Procuradoria federal aceitaram a retirada do pedido de asilo. Mas os procuradores foram contra o fato de Posada Carriles recorrer ao Convênio Internacional de Proteção contra a Tortura, em relação à Venezuela.

A Procuradoria pediu uma nova audiência para 26 de setembro, quando esperam apresentar provas de que a Venezuela não torturará Posada Carriles se ele for deportado para este país. A Venezuela solicitou a extradição do terrorista anticastrista por causa da explosão, em 1976, de uma aeronave da companhia Cubana de Aviación, na qual 73 pessoas de várias nacionalidades morreram. Apesar de a procuradora Gina Garrett-Jackson ter enfatizado a preocupação do Departamento de Segurança Nacional dos EUA com a possibilidade de Posada Carriles ser torturado na Venezuela, na segunda-feira, primeiro dia do caso, ela deu declarações à imprensa pedindo que o terrorista fosse extraditado à Venezuela porque inicialmente o país não constituía um perigo para ele.

Trajetória da defesa

Na segunda-feira, inicio da audiência, o secretário geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, se pronunciou a favor da "necessária" extradição de Carriles para que ele "pague pelos crimes que cometeu". Na terça-feira, Carriles negou durante a audiência que tenha participado de qualquer plano para matar o presidente cubano, Fidel Castro.

O terrorista anticastrista admitiu ter usado um passaporte salvadorenho com um nome falso para entrar no Panamá em 2000, pouco antes de ser preso por supostamente tentar assassinar Fidel Castro, acusação que foi negada por ele. Ele também negou ter participado de uma série de explosões que atingiram estabelecimentos comerciais em na capital cubana, Havana, nos anos de 1997.

O caso coloca o gabinete do presidente George W. Bush em uma situação muito difícil: de um lado, o asilo político do dissidente poderia trazer mais apoio da comunidade cubano-americana, que é contra Castro; por outro, conceder o asilo estaria violando as próprias regras da "luta contra o terror", empreendida por Bush, já que ele é um terrorista, com a diferença de que seu serviço foi prestado para o Estado norte-americano.

Joaquín Chaffardet Ramos, que trabalhou com Posada Carriles para a inteligência venezuelana durante a década de 60, também testemunhou durante a audiência. Ele afirmou que quando esteve na Venezuela, o dissidente cubano "foi humilhado e preso". O governo da Venezuela rejeitou qualquer idéia de que o cubano possa ser torturado, ou entregue ao governo cubano.

O histórico criminal de Posada Carriles é enorme. Inclui ataques a hotéis e restaurantes turísticos na orla de Havana em Cuba, em 1997, delitos contra a segurança nacional e falsificação de documentos, e a confessa à jornalistas do The New York Times participação no atentado que derrubou um avião cubano que deixou 73 pessoas mortas em 1976. Ele também foi mentor de um atentado contra Fidel durante a 10ª Cúpula Ibero-Americana, realizada no Panamá no ano 2000.

Com agências.

Publicado no Diário Vermelho



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